31.3.16

Cultura, ciência e política em seminário

De abril a junho, na Universidade Nova de Lisboa. Seminário livre oferecido em conjunto pelo Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudo em Música e Dança, pelo Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa e pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa que visa debater as relações entre intelectuais, cientistas e artistas, por um lado, e o poder político, por outro. Inscrições aqui. Organização: Manuel Deniz Silva (INET-md), Frederico Ágoas (CICS.NOVA) e Tiago Baptista (IHC).


Last Call For Entries 2016! For International, Experimental and Curtinhas Competition



Submissions for the International, Experimental and Curtinhas Competition of the 24th Curtas Vila do Conde – International Film Festival, are reaching the deadline: 8th April 2016.

You can apply with new short films produced in 2015 or 2016; within the duration limit of 60 minutes (unless exceptions below); film (35 or 16 mm), DCP or video file. You can submit your new films in the following competitions:
International (fiction, documentary and animation);
Portuguese (Portuguese films of fiction, documentary and animation);
Experimental (films that defy narrative and technical conventions);
Music Videos (music videos from portuguese artists/producers);
Curtinhas (films for kids until 30 minutes);
Take One (productions until 30 minutes by Portuguese film students).
Please check the complete regulations before applying. Online submission at: http://curtas.pt/festival_submissions

DEADLINES AND SUBMISSION FEES

International, Experimental and Curtinhas Competition (LAST CALL!)
Submission deadline: 8th April 2016.
Submission Fee: 12,00 euros;

Portuguese and Music Videos Competition
Submission deadline: 23rd May 2016.
Submission Fee: 12,00 euros;

Take One! Competition
Submission deadline: 23rd May 2016.
Free submission.
The starting point is to register*. After registry, using the given username and password sent to your e-mail, you can access the online entry form, submitting all the required data for each film (film info and screener). From your login, you may also access all submitted films data to verify and eventually correct it.

*If you are already registered, please insert your username (your email) and password (you can also ask immediately for a new password). If you already completed any submission and received a confirmation email, please note that this message was sent automatically to our entire mailing list.
Any questions about submissions should be addressed to submissions@curtas.pt or the following phone numbers +351 252638025.
24th Curtas Vila do Conde International Film Festival
Praça José Régio, 110-1º
4480-718 Vila do Conde, Portugal
www.festival.curtas.pt

Exposição de 60 anos da Fundação Liga

A Livraria Círculo das Letras em colaboração e parceria com a Fundação LIGA e o Pelouro dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa mantém a exposição 60 artistas da casa das artes nos 60 anos da fundação Liga naquela livraria, à rua Voz do Operário, 62, em Lisboa.


30.3.16

António Cartaxo e o prémio Igrejas Caeiro

Foi hoje ao fim da tarde que António Cartaxo recebeu o prémio Igrejas Caeiro para a rádio da Sociedade Portuguesa de Autores. "Tendes diante de vós um homem feliz", disse no final António Cartaxo, citando Stravinsky.

António Cartaxo nasceu na Amadora, em 1934, e trabalhou na secção portuguesa da BBC entre 1962 e 1976. Nesse período, ouviu muita rádio e assistiu a muitos concertos de música clássica, aí aprendendo muito do que realizaria na rádio nacional, onde ingressou (Antena 2) em 1976 e trabalhou durante 40 anos.

Ainda em 1976, António Cartaxo e o realizador Jorge Ribeiro foram distinguidos internacionalmente com o programa Você gosta de Beethoven?, em que eram entrevistados operários da Sorefame sobre a música de Beethoven, e que na sessão de hoje na SPA se ouviu um excerto. Em 1987, António Cartaxo venceu o Prémio Gazeta de Jornalismo na modalidade Rádio, com um programa sobre Fernando Lopes Graça. Em 2012, publicou Quase Verdade como São Memórias, editado pela Colibri e que lhe valeu o Prémio António Alçada Baptista. Agora o prémio atribuído pela SPA. De António Cartaxo, recordo o programa Em Sintonia, na Antena 2, um dos melhores programas de autor que se ouvia até algum tempo atrás.

29.3.16

Almeida Garrett no teatro de Almada

A 153.ª criação da Companhia de Teatro de Almada no Teatro Municipal Joaquim Benite é a peça Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, com encenação de Rogério de Carvalho. Como intérpretes Adriano Carvalho, Alberto Quaresma, António Fonseca, Carlos Fartura, Joana Castanheira, João Farraia, Marques d’Arede, Pedro Walter, Teresa Coutinho e Teresa Gafeira, cenografia de José Manuel Castanheira, figurinos de Mariana Sá Nogueira, luz de Guilherme Frazão, som de Miguel Laureano, voz e locução de Luís Madureira.

Em cena de 1 a 30 de Abril, de quarta-feira a domingo (informação da entidade organizadora).

28.3.16

Os Fantasmas do Feminismo - Lançamento do número 6 da Diffractions, 13 de abril


13 Abril às 18h30 - Rua das Gaivotas6 (rua das Gaivotas, 6, Lisboa). Performance de Vera Mota + Mesa-redonda com Ana Vidigal, Isabel Capeloa Gil e Eugénia Vasques. Entrada livre.

O número mais recente da Diffractions - Revista de Estudos de Cultura tem como tema "Feminist Ghosts: The New Cultural Life of Feminism" e procura analisar, através de um enfoque teórico-cultural, as várias faces dos feminismos contemporâneos, da cultura popular à esfera política, confrontando-os com o legado dos discursos feministas do século XX. A apresentação inclui uma performance de Vera Mota e uma mesa-redonda com Ana Vidigal, Isabel Capeloa Gil (UCP) e Eugénia Vasques (ESTC-IPL), com moderação da equipa editorial da revista.

Este número, que ficará disponível online no próprio dia, conta com uma entrevista à teórica e cineasta Laura Mulvey, bem como depoimentos de Rosi Braidotti, Jill Dolan, Heidi Mirza, Catherine Rottenberg, Catherine Driscoll, Rosalind Gill, entre outras autoras. A Diffractions é a revista online e de acesso aberto do programa de Doutoramento em Estudos de Cultura - The Lisbon Consortium, sediado na Universidade Católica Portuguesa. As edições são temáticas e semestrais, contendo artigos, entrevistas, recensões, textos de formato livre e ainda intervenções de artistas convidados. Ver mais informações em http://www.diffractions.net/.

27.3.16

Côa ou as gravuras não sabem nadar

A guia que nos levou ao sítio da Penascosa (praia fluvial na margem direita do rio Côa), onde se encontra um património valioso de arte rupestre do Vale do Côa classificada como património mundial, era muito competente. De conversa paralela ao seu trabalho de guia, ficámos a saber que é necessário frequentar um curso de Guias de Arte Rupestre do Coa, com formação específica em arte rupestre e seu contexto arqueológico.


Rapidamente, nos pôs a ler os traços e o significado em termos de animais representados: auroque, cabra e cavalo. Das interpretações e das dúvidas sobre como se teriam inscrito na pedra aquelas gravuras, foi tudo explicado, levando-nos ao museu de Côa, um magnífico edifício mas parecendo um bunker de guerra nuclear, o que amedronta um pouco.

Lá dentro, com excesso de informação visual, talvez a agradar a uma população juvenil que toma contacto pela primeira vez com um mundo de 25 mil anos antes do presente (BP - before present, com está escrito no texto em português). Pirotécnico, diria eu, ao ver citações de professores de reconhecida notoriedade da Universidade Nova de Lisboa mas cujos trabalhos de arte rupestre ignoro junto a imagens explicativas da evolução da cultura naquele vale. Sei que se podem reduzir as gravuras a simples (ou complexos) signos, mas daí a ter citações de professores dedicados a semiótica ou filosofia da linguagem parece-me exagerado. Sem me querer centrar nas citações, estas soam a soundbites dos jornalistas e dos técnicos de relações públicas.

Felizmente que a anunciada barragem no Côa não foi para a frente. Ficou um magnífico património num local de uma enorme beleza. E de fora ficou uma recente polémica de dificuldades financeiras, com histórias de jipes avariados. Houve jipe e houve explicações bem feitas pela guia. Lembrei-me do conceito ou grito "As gravuras não sabem nadar", a partir da música dos Black Company (1994) Não sabe nadar.

24.3.16

Museu de Lamego

O Museu de Lamego está instalado no antigo paço episcopal, no largo de Camões, onde ficam alguns edifícios de grande valor histórico como a catedral. Reedificado na segunda metade do século XVIII, o palácio serviu de residência a oito prelados que ocuparam o governo da diocese de Lamego (1773-1911). O museu começou a ser instalado em 1907, quase a fazer um século. Tem tapeçarias flamengas e francesas dos séculos XVI e do XVII, ourivesaria, cinco painéis de retábulo pintado por Grão Vasco (século XVI) e peças de heráldica, túmulos, estelas funerárias, lápides, esculturas e elementos arquitetónicos de edifícios demolidos (informação do próprio museu).





23.3.16

Museu do Douro

O Museu do Douro define-se como museu de território, vocacionado para reunir, conservar, identificar e divulgar o património museológico e documental disperso pela região, dentro de uma perspetiva de "museologia de comunidade" (da documentação explicativa do museu). Situado no Peso da Régua, o edifício do museu está relacionado com a fundação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (1756), que criou a primeira zona vinícola regulada do mundo.




22.3.16

Do livro de Carlos Cruz à memória do programa PBX

Na apresentação do livro de Carlos Cruz.




PBX foi um dos programas de rádio que celebrizaram Carlos Cruz e José Fialho Gouveia. Na festa do primeiro aniversário do programa, houve um espetáculo gratuito no Rossio. Aí, entre outros, estiveram Carlos do Carmo, Thilo Krasmann e Raul Solnado (Diário Popular, 1 de setembro de 1968).



21.3.16

Carlos Cruz e o poder da sugestão da rádio

No livro que lança amanhã, Carlos Cruz refere o seu casamento com Lisete Cruz e o motivo que o levou a sair da Rádio Renascença, onde fazia o programa 23ª Hora com João Martins (pp. 151-153). No programa, ele estreara o álbum Revolver dos Beatles. Depois, o realizador e apresentador iria participar em duas das maiores aventuras da rádio: PBX e Tempo Zip (este sucedeu ao popular programa televisivo Zip-Zip, com dois companheiros de Carlos Cruz: José Fialho Gouveia e Raul Solnado).

De PBX, Carlos Cruz conta uma história dita no dia das mentiras de 1968: a existência de uma nuvem de pirilampos. Uma voz castelhana informou da vinda migratória dos insetos luminosos para Portugal (p. 168). Logo, o programa recebeu telefonemas, com ouvintes dizendo que tinham visto a tal nuvem. Um presidente de câmara mandou desligar a iluminação pública para não afastar a rota dos pirilampos. Como os apresentadores do programa disseram que a nuvem se dirigia para Sintra, houve uma excursão de automóveis com os seus condutores a quererem testemunhar o fenómeno. Era, escreve o autor, o poder da sugestão da rádio.

Depois, a 25 de novembro de 1967, quando se abateu uma tromba de água sobre Lisboa, PBX tornou-se uma espécie de proteção civil da época, prolongando o programa para além da hora com informações úteis para a população da cidade, incluindo os bombeiros, pois muita gente pedia informações e ajuda (p. 169). Carlos Cruz ganhava mensalmente 7500$00 nesse programa diário da meia-noite às duas da manhã, uma produção dos Parodiantes de Lisboa. Mas a colaboração não durou mais de um ano, pois os produtores entenderam estar a perder dinheiro e a querer menos reportagens e mais rubricas de humor (p. 171).

O casamento de Carlos e Lisete Cruz realizou-se em novembro de 1966. Pouco depois, o Diário Popular, na coluna "As Mulheres dos Famosos", entrevistava Lisete Cruz (25 de agosto de 1968), já o marido era uma celebridade na televisão. Aí revelou, entre outras coisas, a discoteca do marido - cinco mil LP. Nesse momento, Lisete Cruz estudava na Faculdade de Letras (p. 171).


20.3.16

Livro sobre ciberjornalismo de Helder Bastos em segunda edição

Já tinha escrito aqui, a 18 de janeiro de 2011, sobre a primeira edição do livro de Helder Bastos, Origens e Evolução do Ciberjornalismo em Portugal. Agora, saiu a segunda edição, a que juntou ao título Os primeiros Vinte Anos (1995-2015) e com alargamento de textos, de 106 para 143 páginas.

Então escrevi: "Com quatro capítulos (contexto global do ciberjornalismo, antecedentes do ciberjornalismo em Portugal, periodização em três fases, e evolução do modelo de negócios), constitui um útil instrumento de trabalho para quem quer estudar e conhecer o jornalismo electrónico em Portugal". A edição saída agora (final de 2015) mantém a estrutura de quatro capítulos mas adequa o segundo, designado por contexto nacional do ciberjornalismo.

O autor destaca três etapas na evolução do jornalismo digital: implementação, expansão e depressão/estagnação. Sobre os modelos de negócios, Helder Bastos distingue o iniciado em 2001, reparte a atenção por pagamento de conteúdos, assinatura, acesso gratuito como forma de publicitação dos meios pagos (jornal), lenta inclusão de anúncios em banners, organização de conferências pagas mas publicitadas gratuitamente na internet, design e construção de sites, a que se seguem modelos sem negócio. Neste caso, inclui criação de fundações, mecenato, crowdfunding de conteúdos, sinergias dentro de um grupo de media e micro-pagamento. O autor identifica modelos emergentes, onde se desenvolvem tipos de modelos já ensaiados, como conteúdos patrocinados, conferências e conteúdos patrocinados, e venda de conteúdos para plataformas móveis, a que junta a circulação digital residual. Já em 2009, Helder Bastos realça o regresso da cobrança de conteúdos.

Detenho-me brevemente nas páginas 42-43, em que se recorda o ano de 1995, quando as redações dos jornais começaram a adotar o online, caso do Jornal de Notícias (Porto), quando dois jornalistas, um da secção de política (Helder Bastos) e outro da secção de nacional (Nuno Marques) foram destacados para trabalhar em exclusivo na edição digital do jornal. Então, havia quatro vertentes principais no trabalho dos jornalistas: interatividade com os leitores, edição de notícias, gestão de participação dos leitores em fóruns de discussão e passagem dos conteúdos do jornal em papel para o digital. Isso inibiu os jornalistas de saírem da redação, por exemplo para fazerem reportagens. Helder Bastos, deste modo um pioneiro e observador atento do fenómeno da digitalização e do online até hoje, escreveu que o ciberjornalismo inicial foi marcado pela predominância técnica e pelo esvaziamento da produção jornalística própria.

Por interesse de investigação, gosto particularmente do capítulo 2, onde o autor e docente universitário escreve sobre o contexto nacional do ciberjornalismo, com recurso a muitos números e etapas do desenvolvimento tecnológico, associando o telemóvel, a internet, a rádio e a imprensa em papel, o meio mais afetado pela economia e pela migração para o digital. Fixo as páginas 35 a 40, onde há uma análise diacrónica a partir da década de 1980, quando o país assistiu à revolução informática, responsável por alterações profundas nos mecanismos de produção gráfica e do funcionamento e competências das redações dos jornais.

Realce ainda para a útil cronologia colocada no final do livro, onde o leitor pode verificar a rápida evolução dos domínios em internet, edições eletrónicas digitais, portais, emprego e despedimentos, jornais e portais universitários, parcerias, sinergias dentro de grupos (televisão, rádio, imprensa), acesso gratuito e a pagamento, evolução de sistemas operativos e mais tópicos.

Leitura: Helder Bastos (2015). Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal. Os primeiros Vinte Anos (1995-2015). Porto: Afrontamento, 143 páginas

19.3.16

1955-1969: Quando a febre em Portugal era o Yé-Yé (Blitz, publicado inicialmente em 2008)

O texto é de Rui Miguel Abreu, que o publicou inicialmente na revista Blitz em julho de 2008. Como é um tópico que me interessa estudar, guardo aqui como memória (http://blitz.sapo.pt//principal/update/2016-03-19-1955-1969-Quando-a-febre-em-Portugal-era-o-Ye-Ye, acedido hoje, cerca das 17:30). O jornalista escreve no início do texto: "Antes do 25 de Abril mudar para sempre o rumo da vida em Portugal, uma outra revolução trouxe os jovens para a rua: o rock and roll. Graças ao cinema, aos Beatles e a uma vontade imensa de pegar em guitarras eléctricas, uma geração não se contentou em estar «orgulhosamente só» e sintonizou-se com o resto do mundo".
Sheiks e ié-ié

18.3.16

Administração da Media Capital inclui Pilar del Rio e António Pires de Lima

Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago, António Pires de Lima, antigo ministro da economia, e Agnés Noguera Borel entram na administração da Media Capital, detentora da TVI e da Rádio Comercial: Juntam-se a Manuel Polanco e José Luiz Sáinz Diaz como membros independentes e não executivos do conselho de administração. Se Pires de Lima tem uma grande experiência profissional na área da gestão, Pilar del Rio é reconhecida como ligada à cultura e defesa da língua portuguesa, fazendo uma ponte entre o seu país de origem e o seu país de acolhimento. Para o mandato 2016/2019, Miguel Pais do Amaral mantem-se como presidente não executivo do conselho de administração. A atual administradora-delegada da Media Capital, Rosa Cullell Muniesa, será reconduzida nas funções executivas.

Livro de Jorge Barreto Xavier

A Cultura na Vida de Todos os Dias é o título de livro de Jorge Barreto Xavier, a sair em breve. O livro, com prefácio de Guilherme D’Oliveira Martins, reúne vários textos que refletem o percurso do fundador do Clube Português de Artes e Ideias e organizam-se duas partes – antes e depois da sua experiência como secretário de Estado da Cultura, num período que começa em 2004. A Cultura na Vida de Todos os Dias vai ser lançado em Lisboa, a 6 de abril, 18:00, no Grémio Literário, com apresentação de Eduardo Lourenço e Guilherme D’Oliveira Martins, em Coimbra, a 7 de abril, 18:00, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, com apresentação de Álvaro Laborinho Lúcio e Carlos Fortuna, e no Porto, a 8 de abril, 18:00, na Livraria Lello, com apresentação de Rui Moreira e João Teixeira Lopes (a partir de informação da Porto Editora).

17.3.16

Sobre as humanidades

O título é já um programa: Humanidade(s). Considerações radicalmente contemporâneas. Se a palavra considerações remete para uma opinião bem formulada e defendida, o advérbio de modo radicalmente imprime uma orientação precisa mas enérgica. Explico melhor: o que o livro de Isabel Capeloa Gil aponta é para a universidade, a sua avaliação hoje e a produção do conhecimento. Há uma ideia muito interessante que a autora - antiga diretora da Faculdade de Ciências Humanas e atual vice-reitora da Universidade Católica Portuguesa com os pelouros da investigação e internacionalização - desenvolve: a escadaria das letras (pp. 29-38). O Palais Académique de Paris IV (Sorbonne) tem um vestíbulo que dá para duas escadarias, a de letras no lado direito e a das ciências no lado esquerdo. Isabel Capeloa Gil coloca aqui uma distinção de saberes, entre o "inútil" e o que fornece produtividade. Ao longo do texto, de modo exaustivo e profundo, a autora combina pensamento filosófico e relatórios e estudos de mercado sobre a realidade que fala.

A palavra radicalmente no título tem, dentro do livro, um significado preciso, o de combater a hegemonia do conhecimento dito científico e elevar o saber das humanidades e das ciências sociais. Na atribuição de bolsas e projetos de investigação, o pote das humanidades e das ciências sociais tem vindo a ser mais pequeno e quase residual. No subcapítulo a que chamou de dilemas contemporâneos, a autora recolhe evidências que contesta de modo veemente apesar de elegante, quando indica que a universidade ameaça ser a nova fábrica que produz graduados em termos de avaliação, impacto e empregabilidade, como se as competências do estudante universitário fossem calculadas como um bem económico puro.

Isabel Capeloa Gil defende que as humanidades constituem a base de qualquer projeto epistemológico, em que qualquer ciência (humanidades ou pura), porque feita por seres humanos, tem valores e identidades reconhecidas social e culturalmente. O corte provocado nomeadamente pelo positivismo permitiu alargar o fosso entre as duas posturas culturais - a ciência que estuda a natureza e a ciência que reflete e problematiza. O seu livro é um programa, como escrevi acima, mas é também um manifesto de luta contra a depreciação cultural das ciências sociais e humanidades. Sem estas não há pensamento mas apenas máquinas e lucros.

No começo do livro, a autora refere, julgo que ironicamente, o aparecimento de um novo género de produção académica, a jeremiada (lamentação longa e profunda). É contra isto, contra o quase desprezo pelas ciências humanas, que o livro surge, daí as "considerações radicalmente contemporâneas".

Leitura: Isabel Capeloa Gil (2016). Humanidade(s). Considerações radicalmente contemporâneas. Lisboa: Universidade Católica Editora, 68 p., 4,50 euros. Parceria com a Fundação Cupertino de Miranda

António Cartaxo recebe prémio Igrejas Caeiro

O prémio Igrejas Caeiro, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores a uma personalidade com grande carreira na rádio, vai ser entregue a António Cartaxo. Este homem da rádio, para além da carreira internacional na BBC, deliciou os seus ouvintes, desde há muito, com programas sobre música clássica na Antena 2. Entrega do prémio no dia 30 de Março de 2016, pelas 18:30, no Auditório Maestro Frederico de Freitas‏, aqui em Lisboa.

13 anos a escrever no blogue

Foi em 17 de março de 2003 que comecei a escrever aqui. A mensagem inicial foi: "Este weblog destina-se a apresentar textos sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, videojogos, publicidade)". Depois, aportuguesei a palavra blogue. Não imaginava que, treze anos depois, continuava a publicar regularmente as minhas leituras e opiniões sobre indústrias culturais e indústrias criativas. Nos primeiros anos, fui testando diferentes modelos gráficos de apresentação, abaixo, ou ao lado, indicados (não consigo ampliar mais as imagens), dando conta também da evolução gráfica da própria empresa onde o blogue está alojado.

Obrigado a todos os leitores que me têm acompanhado.


15.3.16

"Museu Nacional Grão Vasco: Reservas em Bruto" no Centro Cultural de Cascais

Museu Nacional Grão Vasco: Reservas em Bruto. Pintura e Escultura dos séculos XVI e XVII vai estar em exposição no Centro Cultural de Cascais, da Fundação D. Luís I, entre 19 de Março e 19 de Junho de 2016.

A exposição, que se integra na celebração do primeiro centenário do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu), apresenta obras de pintura e escultura dos séculos XVI e XVII.  O percurso expositivo encontra-se dividido em seis núcleos: A partir de Grão Vasco, Olhar um Olhar, Espaço Absoluto, Composições Retabulares, Imaginária Devocional e O Toque do Invisível, este um espaço com conteúdos multimedia que permite ao público conhecer obras do Museu Nacional Grão Vasco não fisicamente representadas na exposição [informação recebida da organização do evento].

[imagem: Batismo de Cristo, 1550-60, Mestre de Lordosa - Oficina de Viseu. Proveniência: Igreja Paroquial de Vil de Soito. Óleo sobre madeira]

Encontros com a Arte: Pintura Italiana

A Associação Socio Cultural Italiana del Portogallo DANTE ALIGHIERI (ASCIP DA) promove, de abril a junho de 2016, às quartas feiras, das 18:30 às 19:45, Encontros com a Arte: Pintura Italiana. O curso tem curadoria e participação do professor José Manuel Tedim, onde se propõe um percurso de Giotto a Giovanni Tiepolo, passando pelos principais artistas e obras do século XIII a XVIII. Para a entidade que organiza o curso, este será um mergulho na história da arte italiana e universal, para redescobrir e celebrar sua beleza. Sessões na sede da ASCIP DA, rua da Restauração, 409, Porto.


14.3.16

Roiz, pintor de cartazes de cinema

A partir dos álbuns fotográficos de Adriano Rodrigues (Roiz), confiados à guarda da Cinemateca por Gracinda Rodrigues em 2005, a Cinemateca apresenta uma exposição que “folheia” a sua obra enquanto pintor de cartazes, retratos também de Lisboa (avenidas da Liberdade e Almirante Reis) ao longo de quarenta anos, captados pelos repórteres fotográficos (texto e imagens a partir de informação da Cinemateca, fotografias de J. Marques).


13.3.16

News Museum, Sintra

O NewsMuseum, museu dedicado às notícias, aos media e à comunicação, situado em Sintra, tem inauguração prevista para 25 de abril de 2016. O museu ocupa as antigas instalações do Museu do Brinquedo e divide-se em temas como spin wall, géneros, contrários, propaganda, bad news, guerras e mind games. Pretende ser uma Media Age Experience, "janela aberta para o mundo dos media e da comunicação, e para o impacto destes na sociedade, recorrendo para isso a uma forte componente digital e tecnológica".

A Associação Acta Diurna, promotora do projeto e presidida por Luís Paixão Martins, vai investir cerca de 1,8 milhões de euros no museu. O projeto conta com o apoio da Câmara Municipal de Sintra, que cedeu o imóvel no centro histórico por 20 anos à associação Acta Diurna. O fundador da TSF, Emídio Rangel, foi escolhido pelos comissários do módulo "imortais" para figurar no grupo dos fundadores dos grandes meios de comunicação atuais.

O museu é interativo e tem vários jogos. Segundo a entidade promotora, "fizemos um grande esforço para que em todos os módulos as pessoas pudessem participar no museu". Por exemplo, no módulo da rádio, simulação da cabina de Rádio Clube Português na noite do 25 de Abril de 1974, com Joaquim Furtado, as pessoas podem gravar "Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas" e publicar no YouTube (informação retirada da página do museu e de uma notícia da TSF)

10.3.16

Autobiografia de Carlos Cruz

Carlos Cruz, 73 anos, antigo locutor e apresentador de rádio e televisão, lança a sua autobiografia (592 páginas e 250 fotografias), Uma Vida, onde escreve sobre a sua carreira. O livro tem prefácios do ator Virgílio Castelo e do jornalista Adelino Gomes e posfácio do fadista Carlos do Carmo. A sessão de apresentação está indicada para as 18:30 do dia 22 no Altis Grand Hotel, com apresentação de D. Januário Torgal Ferreira, e participação de Ruy de Carvalho e dos músicos Jorge Quintela, Nanã Sousa Dias e Paulo Ramos.

Carlos Cruz foi locutor e produtor de programas (como Zip-Zip, que partilhou com dois outros grandes homens dos media, José Fialho Gouveia e Raul Solnado, e Pão com Manteiga), diretor de informação, diretor de programas e diretor-coordenador da RTP1.

8.3.16

Rua das Gaivotas 6


Os encontros O Que Um Livro Pode continuam a sua exploração sobre o livro infantil, agora com atenção especial aos livros de fotografia para crianças, aos pop-ups e aos livros de Bruno Munari, feitos a pensar nos mais novos, além da exposição de livros de fotografia “Clique! diz a câmera”, com curadoria de David-Alexandre Guéniot, ateliês para crianças, conversas e a sala dos livros, com mostra e venda de edições. Organização e produção: Oficina do Cego / GHOST / TIPO.PT / STET, em colaboração com Rua das Gaivotas 6 e apoio playground.atelier.


Rua das Gaivotas 6, novo espaço cultural com direção artística do Teatro Praga, apresenta desde outubro de 2015, uma programação regular de artes performativas, artes visuais, literatura, conferências, cinema e workshops, a que se junta um espaço "para começar" a nova produção artística contemporânea ainda sem lugar nas programações das instituições.

Além dos encontros O Que Um Livro Pode, destaque para Cumplicidades - Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa (4 a 19 de Março, vários espaços de Lisboa, produção da EIRA) está na Rua das Gaivotas 6 depois da estreia piloto em 2015. Na sua 1ª edição, o Festival aproxima Portugal a outras latitudes geográficas e coreográficas dos países do Mediterrâneo sob o lema “Latitudes em Movimento”.

6.3.16

Diário de Notícias fora da avenida da Liberdade

O presidente Óscar Carmona inaugurara o edifício-sede do Diário de Notícias, na avenida da Liberdade, 266, a 24 de abril de 1940. Na fotografia da inauguração, ao lado de Carmona viam-se o arquiteto Pardal Monteiro e o diretor do jornal Augusto de Castro. Para trás, era deixada a velha redação no Bairro Alto, na atual rua do Diário de Notícias.


75 anos depois, começaram a circular informações, indicando que o Diário de Notícias deixaria a sua sede, por razões financeiras. 20 a 25 milhões de euros é o valor estimado na transação. Futuro do edifício, com um prémio Valmor: hotel de referência na cidade (uma linha semelhante à recente aquisição do edifício da Rádio Renascença). No caso da até agora sede do jornal, não pode haver alterações à fachada do edifício. Segundo notícias vindas a público, o grupo Global Media (Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo, várias revistas e rádio TSF) ficará em edifício junto às Torres de Lisboa, prevendo-se a mudança de pessoal para outubro deste ano.

1.3.16

Teatro em Beja

Para março, em Beja, o destaque vai para a 3.ª edição do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo, organizado pela Associação Lendias d'Encantar (Beja), levando à cena no teatro Pax Julia várias companhias internacionais de teatro. Ver mais aqui.