Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

18.1.11

O CIBERJORNALISMO SEGUNDO HELDER BASTOS

Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal é o mais recente livro de Helder Bastos, editado pela Afrontamento. Com quatro capítulos (contexto global do ciberjornalismo, antecedentes do ciberjornalismo em Portugal, periodização em três fases, e evolução do modelo de negócios), constitui um útil instrumento de trabalho para quem quer estudar e conhecer o jornalismo electrónico em Portugal.

Bastos identifica o começo do ciberjornalismo em Portugal em 1995 e distingue três períodos: implementação (1995-1998), expansão ou boom (1999-2000) e depressão e relativa estagnação (2001-2010). O terceiro capítulo, onde investiga esta matéria, já tinha sido objecto de edição, embora numa versão mais curta, na revista Jornalismo & Jornalistas. O autor chama a atenção para o facto do livro ser um contributo, focado que está na produção jornalística online com sede em empresas que recorrem ao trabalho de profissionais, não abordando especificamente a imprensa desportiva, económica, local e académica (p. 11).

Se o primeiro capítulo trata da contextualização genérica do ciberjornalismo a nível internacional, o terceiro, como escrito acima, narra os principais episódios da história nacional e o quarto debate os modelos de negócio (gratuito, pago, misto), o leitor fica atento ao capítulo 2, com os antecedentes do ciberjornalismo em Portugal. É o capítulo mais pequeno e menos central do livro, mas a sua leitura despertou-me uma grande curiosidade. Nessas páginas, Helder Bastos fala da substituição do analógico pelo digital, do mecânico pelo electrónico, da máquina de escrever pelo computador.

Afinal, tal período não está muito longe de nós. Segundo o autor, a primeira redacção a ser informatizada foi o já desaparecido Comércio do Porto, em meados de 1985 (p. 29). Um outro texto, de José Luiz Fernandes e Fernando Cascais, situa a introdução das tecnologias digitais nos media portugueses em 1983-1984, com a entrada de computadores nas redacções, mas não indica quando os jornais substituiram as máquinas de escrever. Isto é, as redacções dos principais jornais estavam informatizadas até ao final dessa década. O que significa que há pouco mais de vinte anos os computadores entraram nos media. Logo depois, entrou a internet e implantaram-se os jornais electrónicos. O mundo acelerou muito desde então.

Helder Bastos tem doutoramento em Ciências da Comunicação. É docente na Universidade do Porto, onde lecciona disciplinas relacionadas com a comunicação e o jornalismo. Foi jornalista entre 1988 e 2003, nomeadamente no Jornal de Notícias (primeiro profissional a trabalhar no online do jornal, e do país, dado que aquele jornal foi o pioneiro), Rádio Press e Diário de Notícias, onde ocupou o lugar de editor e responsável da redacção no Porto. Da sua obra publicada destaco Jornalismo electrónico. Internet e reconfiguração de práticas nas redacções (2000). É um dos fundadores do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) e co-fundador do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

Leitura: Helder Bastos (2010). Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal. Porto: Afrontamento, 106 páginas

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