Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência mantida desde 2003.

30.9.10

CALL FOR PAPERS - CONGRESO DE ÉTICA DE LA COMUNICACIÓN EN SEVILLA

Abierto el plazo para presentar propuestas de comunicaciones al I Congreso Internacional de Ética de la Comunicación, que se celebrará en la Universidad de Sevilla los días 29, 30 y 31 de marzo de 2011. El 22 de diciembre será el último día para enviar los resúmenes/abstracts de los trabajos (máximo 100 palabras) a la siguiente dirección de correo electrónico: communicationethics2011@gmail.com. El 15 de febrero de 2011 será la fecha límite para entregar las comunicaciones completas, que serán examinadas por evaluadores de revistas científicas como Latina, Ámbitos y Comunicar así como especialistas nacionales e internacionales de disciplinas relacionadas con la ética de la comunicación. Para más información, puedes consultar la página web del Congreso: http://www.ethicscommunication2011.com/.

TENDÊNCIAS DA RÁDIO

Os novos caminhos da Rádio - Radiomorphosis. Tendências e Prospectivas é um relatório do Obercom, assinado por Jorge Vieira, Gustavo Cardoso e Sandro Mendonça. No seu sumário executivo lê-se:

"As mutações no campo dos media são essencialmente moldadas por duas grandes forças. Por um lado, prosseguem e ganham novas tonalidades os processos tecnológicos baseados na crescente digitalização e distribuição de conteúdos em rede. Por outro, prosseguem processos sociais de adaptação e de resposta criativa à inovação tecnológica. Da confluência de aspectos tecnológicos e sociais resulta a actual fase de transição do negócio da rádio. [...] Avançamos com a identificação de três tendências nas ofertas de produtos radiofónicos, linhas de evolução que se reforçam e vão surgindo, em graus de combinação diversos, nos vários processos de experimentação actuais: Narrowcasting (micro-segmentação de ouvintes, por exemplo, dr.dk radio), Drone station (semiautomatização da programação, por exemplo, Last.fm ou Grooveshark), Cloud radio (fusão no ambiente tecnológico, isto é, dada a crescente proliferação de possibilidades de audição electrónica nunca a rádio foi tão portátil e desdobrada em múltiplas plataformas)".

FASHION MEDIA

The Fashion Media: Yesterday, Today, Tomorrow conference brings together the leading minds and voices in fashion research and practice to explore and debate the key issues facing fashion imagery and communications today and consider them in relation to historical and future media cultures.

Programmed by Dr. Djurdja Bartlett and Prof. Penny Martin of London College of Fashion and held at the John Princes Street site over two days (21-22 October 2010), the conference is structured around a series of provocative, 20-minute 'position' papers. These focus on themes such as questions of national identity in historic magazine culture; masculinity and criminality in male dress; ethnicity and propriety in fashion representation; quality control in digital innovations and the future of online fashion. Recognising the burgeoning research interest in fashion media among undergraduate and postgraduate students, there will also be a Pecha Kucha session for postgraduate students and early career researchers to present their projects.

See more information here.

SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO DA RTP

PS, CDS, PCP e BE uniram-se hoje [ontem] na oposição à privatização da RTP. "Queremos aqui deixar bem claro a nossa frontal oposição à hipótese de privatização", afirmou a deputada socialista Inês de Medeiros. A deputada do CDS-PP Cecília Meireles disse também não ser favorável à privatização da RTP, mas alertou para a necessidade dela ser "bem gerida e com o mínimo custo para o contribuinte". "Acompanhamos o PS na defesa da RTP", corroborou a deputada do BE Catarina Martins. A deputada do PCP Rita Rato manifestou igualmente a oposição do partido à privatização da RTP, embora reconhecendo a necessidade de uma reestruturação da empresa. Contrapondo a posição do PS e da restante oposição, a deputada do PSD Carla Rodrigues questionou a existência de um serviço público de televisão: "Em 2009, o serviço público custou 188 milhões de euros em indemnizações compensatórias" (com base em take da Lusa).

BASES DE DADOS SOBRE GRUPOS DE MEDIA

A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) vai disponibiliza, no final de Outubro, uma base de dados com informações sobre os proprietários dos grupos de media, informação dada por Estrela Serrano, membro do Conselho Regulador da ERC, durante o colóquio Indicadores de pluralismo no sector dos media (Meios & Publicidade).

29.9.10

SÉRIES TELEVISIVAS E CINEMA

Jean-Pierre Esquenazi, professor de estética do cinema na Université Sorbonne-Nouvelle Paris III e director de estudos do EHESS (École des Hautes Études en Sciences Sociales), questiona se as séries de televisão são o futuro do cinema. Secundárias até há poucos anos, tornam-se o tipo de programa que está no centro da televisão e que está a atrair novos públicos, incluindo os jovens que se haviam transferido para a internet. A obra, que procura compreender o fenómeno cultural e artístico e as raízes económicas e culturais e as mutações na escrita de argumentos e no sistema de produção, analisa séries diferentes como Star Trek, Six Feet Under, Mission: Impossible, Friends, NYPD Blue, O Sexo e a Cidade, Donas de Casa Desesperadas.

O livro divide-se em cinco partes: 1) difusão televisiva, séries e públicos, 2) produção das séries televisivas, 3) séries e narrativas, 4) arte das séries, e 5) crítica social. O autor divide as séries entre imóveis e evolutivas, em relação às estéticas e narrativas oriundas do cinema.

Leitura: Jean-Pierre Esquenazi (2010). Les séries télévisées. L'avenir du cinéma? Paris: Armand Colin, 221 páginas, 17,18 euros (não inclui porte de correio)   

EDIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE LIVROS EM PORTUGAL: EMPRESAS, VOLUME DE NEGÓCIOS E EMPREGO (2000-2008)

A Edição e Comercialização de Livros em Portugal: Empresas, Volume de negócios e Emprego (2000-2008), de José Soares Neves e Jorge Alves dos Santos, é um documento electrónico disponível no endereço Observatório de Actividades Culturais (OAC), agora divulgado e onde se aborda a edição e a comercialização de livros em quatro dimensões: número de empresas, volume de negócios, valor acrescentado bruto (VAB) e pessoal ao serviço [tínhamos aqui, em 26 de Janeiro de 2008, feito a divulgação dos primeiros dados do trabalho agora publicitado]. Os dados são apresentados por totais, por escalão de pessoal e por região (NUTS II), variáveis utilizadas pelo INE. As unidades em análise são as empresas cuja actividade económica principal é a edição de livros (edição) ou o comércio a retalho de livros (comercialização). Os indicadores foram construídos pelo OAC a partir dos dados disponibilizados pelo INE no seu portal e na publicação Estatísticas da Cultura 2008. Os períodos abrangidos são, para a edição de livros, 2000-2008 e, para o comércio a retalho de livros, 2004-2008. O projecto agora apresentado é o resultado do estudo concluído em 2009 com o Inquérito ao Sector do Livro que incluiu três fases: levantamento de fontes estatísticas e construção de indicadores; realização de entrevistas a diversos agentes do sector; e inquérito por questionário às empresas de edição e de comercialização de livros. Das conclusões retiro os seguintes dados:
  • o número de Empresas em análise mostra uma tendência de crescimento. Em 2008 são 415. A distribuição por escalão de pessoal confirma que a grande maioria, nove em cada 10, são pequenas e muito pequenas com até 9 pessoas ao serviço, o que aliás confirma uma das características das indústrias culturais. Em 2007 e 2008, já de acordo com a nova CAE, nenhuma empresa tem mais de 250 empregados. A estrutura regional mantém-se estável ao longo do período considerado. A maioria está localizada na região de Lisboa (66% em 2008), a que se segue a região Norte (21% nesse mesmo ano). As empresas da edição estão presentes nas restantes regiões, embora em pequenas percentagens. O Volume de negócios evidencia algumas oscilações ao longo da série. Em 2008 o valor é o mais elevado, perto de 404 milhões. Como termo de referência, anote-se que, nesse mesmo ano, o orçamento do Ministério da Cultura inscrito no Orçamento de Estado foi 245,5 milhões. A distribuição por escalão de pessoal, pese embora as limitações impostas pela aplicação das normas de segredo estatístico, mostra que mais de metade do volume de negócios total (63% em 2007, ano mais recente em que tal dado está disponível) se situa nas empresas que têm entre 50 e 249 pessoas ao serviço. A distribuição por região mostra que Lisboa e Norte concentram a parte substancial do volume de negócios. Em 2008 a soma da primeira (60%) com a segunda (34%) representa perto de 94%. Das restantes apenas a região Centro regista um valor com algum peso (6%).

A RÁDIO EM PORTUGAL E O FUTURO - CONFERENCIA INTERNACIONAL

Integrada nas comemorações dos 75 anos da Rádio Pública, a RTP co-organiza com a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia a conferência internacional sobre rádio em Portugal e o futuro, a 7 de Outubro (auditório Agostinho da Silva, Universidade Lusófona, Lisboa). A discussão, multi-disciplinar, privilegiará a abordagem à reconstrução dos modelos de produção, novos desafios da informação, inovação tecnológica e programação, novas exigências da convergência e desafios produzidos pelas diferentes plataformas de distribuição de conteúdos.

CONCURSO DE MODA NA TELEVISÃO

O Projecto Moda chegou ao fim. Apresentado por Nayma Mingas, teve em competição dez aspirantes a designers de moda. A última emissão (26 de Setembro) alcançou o melhor resultado: 7,6% de audiência média e 20% de share. Os oito programas de Projecto Moda registaram 7,1% de audiência média e 21,5% de share (Marktest). Lê-se no sítio da RTP: "Foi a primeira vez que este formato norte-americano [Project Runway] foi aplicado ao nosso país e pelas mãos da RTP. Alguns pormenores foram recuperados, outros adaptados à nossa realidade, mas sempre permanecendo fiéis ao conceito original, com poucos dias para elaborar uma peça, um desfile e uma eliminação a cada domingo" [ao lado, recorte do Expresso com a modelo angolana].

DOCLISBOA 2010

  • "Mais do que chamar ao DocLisboa 2010, a decorrer de 14 a 24 de Outubro, «o maior festival de sempre», Augusto M. Seabra, director de programação do certame, «gostava de preferir dizer que é o mais forte». O mais forte porque a oitava edição do certame propõe uma programação de luxo repartida pela competição (nacional e internacional), três retrospectivas de peso e uma série de secções paralelas, acompanhada de uma mudança de conceito em direcção a uma maior divulgação da história do documentário. [...] O destaque vai inteiro para Joris Ivens, «o pai do documentário», um cineasta que, nas palavras de Sérgio Tréfaut, director do festival, «mudou a minha vida». O DocLisboa exibirá 39 filmes seus, numa retrospectiva marcada pela presença entre nós da viúva (e co-autora de muitos filmes), Marceline Loridan-Ivens. O festival abre a 14 com a estreia de José & Pilar, o retrato de José Saramago e Pilar del Rio por Miguel Gonçalves Mendes, e encerra a 24 com My Joy, a primeira ficção de uma presença habitual no Doc, Sergei Loznitsa, que causou sensação em Cannes 2010" (Público).

INTERNET NO LAR

O relatório anual de 2010 do Bareme Internet (Marktest) contabiliza 2,204 milhões de lares em Portugal Continental com acesso à internet a partir de computador, valor que representa 62,9% do universo de lares em estudo.

Assim, a penetração de internet aumentou mais de 26 vezes nos últimos 14 anos, passando de 2,4% em 2002 para os agora 62,9% observados. A internet atinge 95,1% dos lares da classe alta, baixando para 67,7% na classe baixa. Os lares do Interior Norte e do Sul têm valores inferiores à média, enquanto nas outras regiões o acesso à internet é já comum à maioria dos lares, chegando aos 72,1% na Grande Lisboa.

28.9.10

JAZZ NO SEIXAL

Festival Internacional SeixalJazz 2010, de 20 de Outubro a 6 de Novembro

FESTIVAIA

Eliana e Sofia Cavalcante, idealizadoras do Núcleo Passo Livre, realizam a primeira edição do FestiVaia no período de 1 a 10 de Outubro, no Espaço Cariris, em São Paulo, Brasil, em homenagem dupla: ao  Viva Vaia de Augusto de Campos e ao poeta francês Jean Cocteau pela célebre frase de sua autoria: "Aquilo que o público vaia, cultive-o, porque é você" (fotografia: Eliana Cavalcante em A Pulga).

VAMOS FAZER UMA ÓPERA

Um divertimento para gente miúda, de Benjamin Britten e Eric Crozier. 2 de Outubro, 16:00, M/6, Sala Principal do Teatro Municipal de Almada. Na escola (Teatro) – encenação de Paulo Matos. O Pequeno Limpa-Chaminés (Ópera) – versão portuguesa de Alexandre Delgado. Let’s make an opera, na concepção original de Benjamin Britten e Eric Crozier, nasceu da vontade de criar uma ópera para e feita por crianças. O público, maioritariamente constituído por jovens, deverá sentir não só que está a assistir a todo o processo de produção de um espectáculo de ópera, desde a sua criação, ao seu planeamento, ensaios, construção, mas também que faz parte dele como personagem colectivo na forma do coro.

EXPOSIÇÃO SEE YOU SEE ME

FUNNY (AND UNFUNNY) IN FANDOM, FLORIDA 2011 - CALL FOR PAPERS

CFP: The Funny (and Unfunny) in Fandom (10/31/10; ICFA, 3/16/11 3/20/11). Location: Florida. Deadline: 2010-10-31.

Description: Participants are being sought for paper sessions or discussion panels on The Funny (and Unfunny) in Fandom for the 32nd annual International Conference on the Fantastic in the Arts. The focus of ICFA 32 is on the humorous and ridiculous in the fantastic, and while papers relating to this theme are welcome, proposals on any topics related to this call will be equally welcome. The conference will be held in Orlando, Florida, from March 16 - 20, 2011 at the Orlando Marriott Airport Hotel. Guests of Honor are Connie Willis and Terry Bisson, and the Guest Scholar is Andrea Hairston. For more information and updates about the conference, please visit http://www.iafa.org/

Possible topics include (but are not limited to) the following topics: Parody fics and communities, “Wank” communities, MiSTing, Crack fic / Bad fic, Humor as criticism/humor as attack, The ritualization of humor, mockery, and sarcasm in fandom. In order to be considered for the 2011 program, your proposal to (1) read a paper, (2) recruit and chair a paper session, or (3) organize and chair a panel discussion should be date-stamped no later than October 31, 2010; electronic correspondence is preferred. You may not submit proposals to more than one Division. Proposals must include a 500-word abstract and appropriate bibliography indicating the project's scholarly or theoretical context. Be sure to include current/working contact information (snail mail AND email addresses).

Presenters must be members of IAFA at the time of the conference. Be sure to indicate all audio-visual equipment needs in this initial proposal; later A/V requests cannot be guaranteed. Contact information: Barbara Lucas, Division Head. Participatory and Convergence Studies in the Fantastic DFS, 5925 Cabot Parkway, Alpharetta, GA 30022, barbedwriting@yahoo.com. We encourage work from institutionally-affiliated scholars, independent scholars, international scholars who work in languages other than English, graduate students, and undergraduate students. Please feel free to forward this call to other listservs, organizations, and individuals who might be interested.

The IAFA is a scholarly organization devoted to the study of the fantastic (broadly defined) as it appears in literature, film, and the other arts. The purpose of the organization is to promote and recognize achievement in the study of the fantastic, mainly through the organization and management of an annual academic conference, the International Conference on the Fantastic in the Arts (ICFA). There are two publications connected to the IAFA: the Journal of the Fantastic in the Arts, which is a peer-reviewed journal for scholarship within the field of the fantastic, and the newsletter, which publishes information relevant to the IAFA membership.

OS VINTE E CINCO ANOS DO CENTRO AMOREIRAS

Ontem, o centro comercial Amoreiras fez 25 anos, o primeiro grande shopping center digno de tal nome em Portugal. Nesse Outono de 1985, Portugal preparava-se para aderir à CEE, actual União Europeia. O centro comercial representou o início de uma grande transformação em termos de consumo. Num edifício de arquitectura marcante, visível para quem ande na superfície ou sobrevoe Lisboa, a agregação de muitas lojas de marcas nacionais e internacionais foi quase uma revolução de costumes, a que se juntavam restaurantes e cinemas (ver aqui texto dos 20 anos do Amoreiras, escrito a 26.10.2005).

27.9.10

DA RÁDIO PARA A TELEVISÃO?

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) prepara mudança de estatutos para incluir a radiodifusão televisiva. José Faustino, presidente daquela associação, explica que a proposta de alteração visa «apoiar e preparar a evolução das rádios para a televisão»" (Meios & Publicidade).

Recorde-se que a mesma associação anunciara um estudo, a desenvolver pelo ISCTE, sobre o futuro da rádio, com resultados previstos até ao final do primeiro semestre deste ano. Não conheço ainda resultados desse estudo.

26.9.10

TEATRO II

Diogo Infante recorda que foi em 1998 que encenou Tennessee Williams a primeira vez: O Jardim Zoológico de Cristal. Agora, coube a vez a Um Eléctrico Chamado Desejo, começada a escrever por Williams em 1945 e estreada dois anos depois em Nova Iorque, com Jessica Tandy e Marlon Brando entre outros.

"Blanche DuBois, uma frágil e solitária beldade sulista, decide visitar a sua irmã, Stella, que vive num bairro pobre de Nova Orleães. Numa altura em que a sua vida se encontra em declínio, Blanche acaba por se confrontar com o marido de Stella, Stanley Kowalski, cujo temperamento rude tanto ofende como atrai a sua educada sensibilidade. Enquanto o jazz dos anos 40 enche os bares locais durante a noite, as tensões crescem até atingirem um ponto de ruptura inevitável (texto do sítio do Teatro Nacional D. Maria II).


Sobre a peça, escreve Mário Jorge Torres: "Stella [Lúcia Moniz], como uma espécie de alegoria do espectador e centro filosófico de uma reflexão sobre a existência, colocar-se-ia, assim, entre duas forças tentadoras, sempre duais e contraditórias: Blanche [Alexandra Lencastre], representante da cultura, do idealismo e do culto do Belo (mas também da fraqueza, do desequilíbrio, da mentira e da rejeição das amarras ao real), e Stanley Kowalski [Albano Jerónimo], a encarnação de uma sexualidade agressiva, de uma animalidade crua e elementar, mas também da hipótese da sobrevivência, da procriação, do jogo bipolar entre masculinidade assertiva e um retrógrado caminho de regresso à idade das cavernas".

O autor, sobre a peça, recorda como começou a escrevê-la depois de ser operado a um dos olhos, que sofria de uma catarata: "como acto final de reabilitação, instalei-me durante algum tempo em Chapala [México] para trabalhar numa peça chamada The Poker Night que, posteriormente, se passou a chamar Um Eléctrico Chamado Desejo. É apenas no seu trabalho que um artista consegue encontrar a realidade e a satisfação, uma vez que o mundo real é menos intenso do que o mundo inventado e, consequentemente, do que a vida, sem se recorrer a um distúrbio intenso, nada parece muito substancial".

Alexandra Lencastre, actriz que se estreou no teatro em 1985 na peça Pílades, com encenação de Mário Feliciano, já não representava num palco há 15 anos. Durante este longo período participou em programas de televisão, séries, telenovelas e cinema. O regresso é muito feliz, pois desempenha o papel da esquizofrénica Blanche DuBois com enorme classe e expressão. 

TEATRO I

Ifigénia na Táurida, de Goethe, estreada no teatro Cornucópia em Setembro do ano passado, teve agora uma curta passagem pelo Teatro Municipal de Almada, saindo hoje de cena. A encenação coube a Luís Miguel Cintra, a recriação poética a Frederico Lourenço e o cenário e os figurinos a Cristina Reis.

Beatriz Batarda (Ifigénia), Luís Miguel Cintra (Toas, rei dos Tauros), Paulo Moura Lopes (Orestes), Vítor d'Andrade (Pílades) e José Manuel Mendes (Arcas) interpretaram a peça de Goethe, interessado pela cultura clássica grega, onde recuperou a história de Ifigénia, filha de Agamemnón e Clitemnestra, que aquele decidira sacrificar para obter os favores dos deuses no cerco a Tróia. A deusa Diana salvara-a, tornando-a sacerdotisa na Táurida. Mais tarde, Orestes vinga a morte do pai, assassinado pela mãe, e foge, perseguido pelas Fúrias. Com o amigo Pílades, chega à Táurida e resgata a irmã do rei Toas, levando-a de retorno à Grécia.

Escreve o encenador: "O trajecto é o das trevas para a luz. Em Ifigénia, em Orestes, em Toas. É o da transformação da barbárie ou da velha Cultura em Civilização. É o caminho até à revelação da verdadeira natureza de Deus através da revelação de cada um a si próprio. [...] É esse amor à verdade (o de Ifigénia, neste caso) que tudo move. No confronto com o que a vida nos traz, com o «acaso», se se quiser, «coisa que não dominamos». É esse o fogo, o desejo do confronto. O tema da peça julgo que é o próprio Conhecimento. Citando a própria Ifigénia: conhecimento de si próprio". Mais à frente, Cintra refere o autor, Goethe, que indica ser a peça pobre em vida exterior, "mas rica em vida interior. E é essa vida interior que o actor teria de recriar".

A peça gira em torno de Toas, Orestes e Ifigénia. Melhor, é Ifigénia o centro: ela, ciente da sua fraqueza, vê igualmente as fraquezas dos homens. As suas palavras, o poder que ela tem contra a espada dos homens, acabam por tecer os destinos daqueles seres, o da liberdade para Orestes e Pílades, igualmente para ela, e o da razão, da cedência e do reconhecimento do envelhecimento e da lenta perda de poder em Toas. Na realidade, Ifigénia ocupa todo o espaço do palco, e mostra-nos em quase duas horas o grande dramatismo da história de uma família amaldiçoada pela violência e pelas mortes desde Tártaro (fotografia retirada do sítio do Teatro da Cornucópia).

GRAFFITI TUGA (8)

25.9.10

PRÉMIO MÁXIMA

Maria Teresa Horta foi distinguida com o Prémio Máxima Vida Literária, pela obra Poesia Reunida (Dom Quixote). O júri do prémio foi constituído por Maria Helena Mira Mateus, António Carvalho, valter hugo mãe e Laura Luzes Torres (via Blogtailors).

TRÓIA

INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS SEGUNDO A MINISTRA DA CULTURA

Gabriela Canavilhas, a ministra da Cultura, anunciou ontem para, muito proximamente, "apresentar um pacote de propostas para o sector das indústrias criativas e culturais. «O Ministério da Cultura juntamente com o Ministério da Economia está empenhado em criar um conjunto de premissas que vão ao encontro de criar condições para que o sector cultural e criativo se afirme de uma forma sustentável», explicou a ministra na sessão de abertura da conferência sobre indústrias criativas e culturais no âmbito da feira «Portugal Tecnológico 2010», que está a decorrer na FIL, em Lisboa" (Público online de ontem; a notícia completa pode ler-se neste link do jornal). O pacote a lançar envolve quatro eixos de intervenção: formação, financiamento, internacionalização e direitos de autor.

24.9.10

THE LISBON CONSORTIUM

O programa Lisbon Consortium, modelo de formação internacional, é constituido por uma rede em que participam a Universidade Católica Portuguesa, a Câmara Municipal de Lisboa, o Centro Nacional de Cultura, a Cinemateca - Museu do Cinema, a Culturgest, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Museu Nacional do Teatro. Hoje, foi o arranque das actividades académicas de mestrado e doutoramento em Estudos de Cultura daquela universidade.

PRODUÇÃO E MONTAGEM DE EXPOSIÇÕES

Curso de Produção e Montagem de Exposições. Centro de Arte Manuel de Brito, Algés. 11, 12, 13, 25 e 26 de Outubro, 10:00-13:00, 14:30-17:30. O curso tem como objectivo ajudar os formandos a identificar os principais processos a ter em conta na Produção e Montagem de uma Exposição, tendo em vista os diferentes contextos expositivos e também o objecto-alvo da exposição. Pretende-se dar a conhecer as componentes que estão implícitas nas diferentes fases de Produção (desde a Pré-Produção à Exposição, em si), conhecendo questões relacionadas com: conceito do curador; tipologias de espaços; recursos materiais; sistemas de suporte e métodos de instalação; financiamentos, apoios e parcerias; empréstimos e seguros das obras; planos de divulgação e comunicação. O curso será composto por aulas teóricas e práticas, em contexto de sala de aula, com dinâmicas de grupo e análise de casos práticos; contando ainda com uma visita de estudo a um espaço expositivo. Inscrições até 4 de Outubro. Mais informações aqui.

MODELOS DE NEGOCIO PARA UNA ECONOMÍA DIGITAL: EL VALOR DE LOS CONTENIDOS

Programa del XXV Congreso Internacional de Comunicación que se celebrará en la Facultad de Comunicación, Universidad de Navarra, Pamplona, los días 25 y 26 de noviembre bajo el título de "Modelos de negocio para una economía digital: El valor de los contenidos". Les invitamos a enviar sus propuestas de comunicaciones antes del 30 de septiembre. Puede consultar el programa y toda la información en la página web del congreso: http://www.unav.es/fcom/cicom.

PROGRAMA

25 noviembre 2010
NUEVOS MODELOS DE NEGOCIO DIGITAL
09:30 Apertura del congreso. Mónica Herrero, Universidad de Navarra
09:45 Ponencia inaugural. Monetizar la atención: El gran desafío en el entorno digital. Emili Prado, Universidad Autónoma de Barcelona y New York University
10:15 Through a glass darkly: The challenges of business model in an uncertain media world. Lucy Küng, University of Jönköping (Suecia) y SR SSR (televisión publica suiza)
11:45 Comunicaciones
RETOS DE LOS MEDIOS TRADICIONALES
16:00 Content monetization: An update on the status of paid content models. Greg Swanson, ITZ Publishing, Journalism Online and American Press Institute
16:30 Asking the right question about the future of news business: not who is going to pay for news, but who is going to define the future business models in news. Rafat Ali, fundador de paidContent.org

26 noviembre 2010
DERECHOS DE AUTOR Y LIBERTAD DE LOS USUARIOS
10:00 Libertad del usuario y derechos de autor: Una jungla llamada a ser parque temático. Ana Azurmendi, Universidad de Navarra
PRODUCIR Y DISTRIBUIR CONTENIDOS MULTIMEDIA
10:30 Hollywood y los nuevos modelos de negocio en el entorno digital. Alejandro Pardo, Universidad de Navarra
12:00 Networked publics and social values of multimedia contents. Nicoletta Vittadini, Università Cattolica del Sacro Cuore (Milán)
12:30 Contenidos y nuevos modelos de negocio: indexación, experiencia de marca, consumo y ROI. Alberto Knapp Bjeren, The Cocktail Analysis
15:30 Comunicaciones
17:30 Mesa redonda profesional. Retos y oportunidades de la distribución multiplataforma de contenidos. José Manuel González Pacheco, director general Antena 3 Multimedia; José María García Lastra, director de gestión de contenidos de Unión Radio; Rosalía Lloret, directora del área de Internet de Unidad Editorial

23.9.10

WELCOME TO TEACHING MEDIA

Tony Nadler and Julie Wilson have been designing the website Teaching Media to create a space for college-level media studies instructors to share teaching ideas and resources (syllabi, assignments, undergrad reading recommendations, etc.). So, that is a collaborative site that aims to facilitate the exchange of undergraduate teaching resources and ideas among critical media scholars. All users must be registered and logged in to use the site.

CADERNOS DE JORNALISMO

Perdi o primeiro número de Cadernos de Jornalismo, do Instituto de Estudos Jornalísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, mas já li os dois números seguintes. Em papel reciclado, com dimensão maior que a das habituais revistas, e um grafismo inovador, o que se lê são textos de alunos daquele instituto, nomeadamente relatórios de estágio de mestrado. Vale a pena comprar e ler.


No número 2 (Fevereiro de 2009), Ana Rita Faria escreve sobre jornalismo económico, área que usa muitas palavras de economês, isto é, palavras de jargão técnico que o jornalista deve descodificar tendo em vista os seus leitores. A autora parte de um estágio no jornal Público na passagem dos anos 2007 a 2008. Combinando bibliografia teórica com exemplos práticos, escreve sobre deontologia jornalística e pressão das fontes. Destas, elenca um conjunto de empresas que fazem abordagens distintas com um objectivo: ser bem representado nas notícias escritas sobre a entidade que a jornalista entrevista.

No número 3 (Março de 2010), para além do dossiê sobre Coimbra e os estudos sociológicos e económicos sobre a baixa da cidade, saliento o relatório de estágio de Catarina Pinto efectuado no jornal Público. Há igualmente uma mistura entre referências bibliográficas e histórias da redacção e da escrita de notícias. E também a análise do impacto dos promotores ou fontes das notícias. Se, no relatório acima indicado, eram as entrevistas as formas de pressão, neste relatório há um debruçar sobre os comunicados de imprensa. Confessa a estudante: "das cinquenta peças que produzi, nove tiveram origem em press-releases. Cinco baseavam-se apenas nos comunicados, enquanto nas outras quatro, por iniciativa própria, entendi que deveria esclarecer certos aspectos".

22.9.10

INTERMEDIARIES AND THE ORGANIZATION OF THE CREATIVE ECONOMY

Taking matters into third hands: intermediaries and the organization of the creative economy, AAG 2011, Seattle, April 12-16, 2011. Session organized by: Bas van Heur (Maastricht University) and Doreen Jakob (University of North Carolina at Chapel Hill) [Association of American Geographers (AAG) Annual Meeting]. For the past twenty years geographers have been analyzing the meaning, role and importance of the creative economy. It is heralded as a job and wealth creator and as a prominent tool for urban and regional revitalization. Whether one agrees with these assertions or not, the effectiveness and ethics of the creative economy will largely depend on the intermediaries that shape and regulate it. While much attention has been paid recently to the political projects that introduce a focus on the creative economy, less is known about the intermediaries that organize and govern it. When implementing dominant policy imaginaries, intermediaries translate and transform them in often unexpected ways. This session aims to investigate intermediaries and to further explore their role in producing the creative economy. We welcome papers from diverse conceptual and empirical perspectives (see Call for Papers). If interested, send a title and abstract (250 words) to Bas van Heur (b.vanheur@maastrichtuniversity.nl) and Doreen Jakob (djakob@email.unc.edu) by October 1, 2010.

Call for Papers and Organized Sessions - The Annual Meeting of the Association of American Geographers (AAG) attracts more than 7,000 geographers and related professionals from around the world. Our forum stimulates discussion about research, education, accomplishments, and developments in geography. Your participation is most welcome and encouraged. The 2011 Annual Meeting will be held at the Washington State Convention Center and the Seattle Sheraton Hotel in Seattle, WA, April 12-16, 2011. If you are interested in submitting a presentation, please read the guidelines carefully. If you have any questions about these guidelines please direct them to Oscar Larson at meeting@aag.org.

BLOGTAILORS

O Blogtailors decidiu mudar o visual, depois de três anos com a plataforma Blogger. Agora está alojado no Sapo, com design de autoria de Pedro Neves, do Blogs do Sapo, e ilustrações a cargo de Pedro «Irmão Lúcia» Vieira. Parabéns aos seus animadores, pois está muito bonito e continua com muita informação.

CONFERÊNCIA SOBRE INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS

Na FIL (Parque das Nações, Lisboa), vai ter lugar a Mostra Portugal Tecnológico 2010, de hoje até dia 26 de Setembro. O Ministério da Cultura organiza a conferência As indústrias culturais e criativas como catalisadoras da inovação e da economia, a realizar dia 24 de Setembro pelas 10:00. A conferência conta com vários oradores, com John Howkins, analista e criativo inglês, um dos grandes impulsionadores do conceito de indústrias culturais e criativas, e diversos oradores portugueses.

15 ANOS DE JORNALISMO ONLINE

"O jornal Público foi o pioneiro em Portugal do jornalismo na internet" (editorial de hoje do jornal Público).

Saúdo a comemoração. Contudo, a expressão acima citada deveria ser escrita do seguinte modo: "O jornal Público foi um dos pioneiros em Portugal do jornalismo na internet". Na realidade, o primeiro jornal a ter edição na internet foi o Jornal de Notícias, a 26 de Julho de 1995; seguir-se-ia o jornal Público, a 22 de Setembro do mesmo ano. Cito o texto de Helder Bastos, então jornalista do diário portuense precisamente na edição online, no texto que publicou no nº 42 da revista Jornalismo & Jornalistas:

"Antes dessa data [22.9.1995], o jornal já colocava online, de forma esporádica, artigos do jornal impresso. Mas, durante cerca de três anos, o site limitou-se a fornecer uma versão electrónica do jornal impresso. Foi em Setembro de 1999, em plena crise de Timor-Leste, que começou a produzir informação própria, com a introdução do serviço «Última Hora»".

Actualização (23.9.2010, 21:12)
1. A entrevista feita por João Pedro Pereira a José Vítor Malheiros editada no Público de 23 de Setembro de 2010 vem repor alguma da informação produzida acima. Reproduzo: "Não foi em 1995 [a criação do site]. Isto tem uma pré-história. A 22 de Setembro de 1995, lançámos a primeira edição diária integral na Internet. Fomos o primeiro jornal a fazê-lo. O JN fez algumas coisas antes, costuma apresentar-se como um pioneiro nesta área. Eles foram pioneiros em algumas coisas, nós fomos noutras, não vale a pena entrar nessa discussão. No entanto, começámos a fazer umas brincadeiras logo em 1994. Tínhamos um site, que não era visitado praticamente por ninguém. Publicávamos notícias, fazíamos coberturas online, a partir da redacção, de alguns eventos, mas foram só experiências. A compreensão de que a Internet ia ser muito importante para os jornais surgiu em 1994". José Vítor Malheiros, enquanto esteve como jornalista no Público, foi um profissional que muito admirei. Logo, tomo como verdadeira a explicação que faz, o que me leva a repensar o escrito ontem, dia 22 de Setembro.
2. Muitas vezes, penso como um blogue pode fazer serviço público. Quando escrevi a mensagem sobre a qual estou a reflectir, não dediquei toda a atenção ao texto de Helder Bastos, publicado na JJ, nem pensei no impacto que a minha pequena notícia teria (131 visualizações entre ontem e hoje). Helder Bastos, ao abordar a história do ciberjornalismo em Portugal, dividiu-a em três períodos: a) implementação (1995-1998), b) expansão ou boom (1999-2000), c) depressão e estagnação (2001-2010). O texto é, pois, um esforço notável ao condensar a actividade do jornalismo electrónico ao longo de década e meia, em que o primeiro período é o do registo das experiências e dos primeiros domínios oficializados, caso da RTP, em Maio de 1993. O segundo período é o da euforia e dos grandes projectos, com grupos de multimedia a apostarem em portais. Houve uma grande procura de jornalistas online. Mas a passagem de 2000 para 2001 foi dramática: demissão dos directores da Lusomundo.net, integração de redacções, dispensa de pessoal. A nova economia perdia impacto. O terceiro período, a que Bastos chama de depressão e estagnação, tem a ver com o período mais recente. Contudo, parecer-me-ia interessante desagregar esse longo período e encontrar outro, de 2004-2005 para a frente, fruto do aparecimento do Youtube e do desenvolvimento dos podcasts, conjunto de inovações que tem redimensionado e dinamizado os media electrónicos. Isto sem falar no jornalismo cidadão e na criação de redes sociais, como o Facebook e os blogues, muito bem utilizados pelos media de qualidade.

Actualização (25.9.2010, 21:50)

Paulo Querido, escreve no dia 22 sobre Os 15 anos do Público.pt e os pioneiros do jornalismo na Internet: quem conta um conto (com actualizações posteriores), onde narra outros pormenores da história dos 15 anos do online em Portugal. Conta nomeadamente: "Em Julho de 1995 já existia há alguns meses uma edição regular na Internet de um jornal português. O Blitz era divulgado, em versão full text, a partir de uma BBS tanto quanto me lembro desde 1994. A sua primeira edição web foi em Novembro de 1994 (c.f. obra O passado da Internet, Libório Silva, Centro Atlântico). Em Agosto de 1995 (ou seja: depois do Jornal de Notícias mas antes do Público), a Rádio Comercial teve a primeira emissão na web. Não recordo se foi um «conteúdo» jornalístico ou musical: algum dos leitores poderá lembrar-se? Se falamos de edições próprias para a Internet, que o Público passou a ter apenas em Setembro de 1999, então teremos de falar do Correio Informático/Computerworld, da Recortes, da Dígito, do Top 5% webzine e, se bem me recordo, do próprio Tek Sapo - tudo sites com jornalistas a produzir notícias originais, artigos e fotos, em contínuo, uns desde 1995, outros 96. Um deles, o Correio Informático/Computerworld, vazava também a edição que era publicada em papel, já desde 1995, e publicava notícias apenas na edição online, para exaspero do seu proprietário". Todo o texto dele merece ser lido com atenção. É que as memórias de várias fontes, caso de jornalistas que estiveram no começo da actividade, contribuem para um muito melhor conhecimento do que se passou.

A RÁDIO COMO VEÍCULO DO ENSINO DO PORTUGUÊS NA GUINÉ-BISSAU

Em Canchungo, a 24 de Abril de 2008, Marcolino Elias Vasconcelos, professor – sobretudo de língua portuguesa – no Liceu Regional Hô Chi Minh, e António Alberto Alves, sociólogo e voluntário, iniciaram o programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand, com o objectivo da promoção da língua portuguesa e da cultura em língua portuguesa. Desde então, mantém a periodicidade semanal, todas as quintas-feiras entre as 20:30 e as 21:30 na frequência de 103 MHz.

De imediato, para responder a diversas solicitações de apoio educativo, jovens estudantes tomaram a iniciativa de se organizarem em bankada*, para ouvirem o programa Andorinha e "praticarem a oralidade e ultrapassarem o receio de falarem em português".

Ao longo desse ano, constituíram-se bankadas nos bairros da cidade de Canchungo (Betame, Pindai, Catchobar, Tchada, Djaraf, rua de Calquisse, Bairo Nobo) e em algumas tabanka (Cajegute, Canhobe, Tame). Complementarmente, foi constituída a bankada central Andorinha, que concentra as suas actividades no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo e que tem organizado algumas iniciativas: sessões de vídeo, acções de sensibilização em escolas, feira do livro.

Ler mais no blogue Andorinha em Canchungo.

* Bankada é um grupo informal mas estruturado, sobretudo de jovens, que se juntam num local na rua, para ouvirem rádio – neste caso, o programa Andorinha e para praticarem a oralidade em língua portuguesa.

21.9.10

BIG BROTHER RIP: 10 YEARS OF CELEBRITY PRODUCTION

The journal Celebrity Studies seeks 1,000 word articles on the end of Big Brother for a special issue of its "Celebrity Forum section": after 10 seasons, the UK version of Big Brother ended in September 2010. The series has generated a range of academic scholarship which  has interrogated genre and programme form, documentary truths, the construction of the real, audience participation, dumbing down, the role of Channel 4, public service broadcasting, the performance of the self, and the formation of celebrity. No doubt not the first or last call for papers on the series end, this special issue of "Celebrity Forum" solicits entries that reflect on the role the format and UK series has played in our understanding of modern fame. This special issue seeks pithy, polemic and original takes on Big Brothers' s role in contemporary celebrity culture: its economics, aesthetics, audiences and supposed democratisation or exploitation of fame. Please send 150 word abstracts with a 50 word biography to j.bennett@londonmet.ac.uk. Final articles must be no more than 1,000 words including references. Key Dates: Abstracts due: 18th October 2010, 1st draft deadline: 10th December 2010, Final Versions: 1st Feb 2011. For further information about the journal and to view an online sample copy, please visit www.tandf.co.uk/journals/rcel.

15 ANOS DO PÚBLICO ONLINE

"Em 1995, poucos tinham telemóvel e a Internet era um sítio onde se ia de vez em quando. O Google ainda não existia": nascia o Público online, faz amanhã 15 anos. Na realidade, o mundo mudou muito.

20.9.10

COMO A TELEVISÃO INFLUENCIA A CULTURA

Criminologia (50 alunos admitidos em 302 candidatos) e ciências bioanalíticas foram cursos universitários escolhidos por alunos influenciados por séries televisivas como o CSI, escreve o Diário de Notícias de hoje. Também o Project Runway, reality show de televisão que se centra no design de moda, produzido nos Estados Unidos e apresentado pela modelo Heidi Klum, seduziu estudantes, levando-os a inscreverem-se em design de moda (40 alunos). Curiosamente, em Portugal, os canais hertzianos programaram já para as suas grelhas séries sobre moda e design.

19.9.10

CRÍTICA LITERÁRIA

Para Nuno Júdice (ABC da Crítica, 2010), a literatura é tudo o que reflecte um universo pessoal, que transporta uma imagem do mundo, que converte o quotidiano, o efémero e o banal em arte (p. 68), com o tempo a ser o grande factor de autoridade na definição de um cânone (p. 16, p. 99).

Toda a crítica é exercida sobre um objecto, o texto (p. 11). A função do crítico é esclarecer sobre géneros, estilos, movimentos, o que constitui a diversidade e a plural coexistência de linguagens (p. 58), através de três momentos: interrogação, comunicação e compreensão (p. 87). A crítica não se deve afastar do texto, na tradição inglesa da close reading (p. 95), em que cada obra é única, cada autor é único (p. 59).

O autor tece críticas: em Portugal, acentua-se o divórcio entre a literatura e a linguagem ficcional imposta pelo meio audiovisual, construída de acordo com parâmetros de compreensão imediata e de consumo, barreira responsável pela criação do género editorial de best-sellers, fabricados de acordo com um receituário de género (p. 31). Ele explica melhor: há produtos de consumo feitos à medida de públicos limitados no tempo e no espaço (p. 44), dá-se a um clássico o mesmo nível do artigo jornalístico, sem qualquer hierarquia (p. 45). E continua: o zapping televisivo repercute-se no ensino universitário com a fotocópia, em que se lêem capítulos que interessam para o exame e não a obra toda, fenómeno que a internet levou ao ponto máximo (p. 48).

Há uma oposição. De um lado, parece existir um declínio de investimento em ciências humanas em função de critérios economicistas; de outro lado, assiste-se à disseminação de cursos de mestrado, pós-graduação e doutoramento (p. 50). A formação de um crítico literário passa pelo ensino universitário e pelos cursos de Letras, mas também pela especialização nos cursos de Comunicação (p. 105). Além disso, alarga-se o leque de leituras: 1) texto escolar, 2) prémios, recomendações de leitura, adaptações à televisão e ao cinema, 3) clubes de leitura, edição ilustrada (p. 74).

HIP-HOP

Hip-Hpo Danza Urbana é um espectáculo lúdico e didáctico que conta a história e evolução do hip hop como cultura, sobretura na dança. Os bailarinos ilustram as diferenças dos estilos popping, locking, freestyle e bboying (breakdance). Um espectáculo organizado por Artemrede, a iniciar no Montijo (25 de Setembro) e continuando por Benedita (27 de Setembro), Barreiro (30 de Setembro), Torres Vedras (1 de Outubro), Palmela (2 de Outubro), Oeiras (3 de Outubro), Almada (7 de Outubro), Abrantes (8 de Outubro) e Alcanena (9 de Outubro).

AS PRAIAS DO MEU VERÃO

PRAGA




Fotografias de PCS, a quem agradeço. Ver mais imagens, acompanhadas de texto, sobre Praga nomeadamente aqui (1.5.2006) e aqui (30.4.2006).