Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

31.3.07

MARCAS

  • o futuro será das marcas que comunicarem valores com emoção a gerações e gerações de consumidores (p. 169)
Marcas e identidades. Guia da concepção e gestão das marcas comerciais é um livro recentíssimo de Teresa Ruão e que resultou de tese de mestrado que a autora fez em Gestão de Empresas (Universidade do Minho). Como o título indica, é um estudo sobre o fenómeno das marcas.

Para além da parte teórica, abaixo apresentada em curta nota, a autora fez um estudo empírico sobra a marca Vista Alegre Clássica, empresa e marca com quase 200 anos.


No percurso do livro, Teresa Ruão distingue produto e marca (p. 27), com aquele a ser o que a empresa fabrica e esta o que a empresa vende. O capital da marca surge como o valor acrescentado ao produto, ou, na linguagem da autora, a dimensão do valor patrimonial e da gestão da marca. A construção do capital de marca passa pela escolha dos elementos constituintes da identidade da marca - casos do nome, logótipo e símbolos - e pela integração em programas de marketing (p. 43). Para a sua caracterização, Teresa Ruão alude ao marketing de relacionamento, centrado na procura de relacionamentos positivos e estáveis com clientes e outros associados (stakeholders, em inglês).

Um segundo conceito forte do livro é a identidade da marca, aberta à interacção das visões de públicos externos (clientes e accionistas, por exemplo) e internas (colaboradores, fornecedores). Ou seja, a identidade da marca é o resultado do fluxo de informações, cognições e emoções que se orientam para o seu interior (p. 53). Alguns investigadores, diz Teresa Ruão, atribuem à personalidade de uma marca características como sexo, idade e classe socioeconómica (p. 59). Assim, distinguem-se personalidades: masculina (Marlboro), jovem (Apple), carismática (Nike). As estratégias de identidade de marketing envolvem relacionamento, emoção e interacção.

Quanto ao terceiro conceito chave, a comunicação das marcas, entende-se como o processo de transferência da identidade em imagem de marca (p. 77). Dentro da comunicação, distinguem-se os meios above the line (publicidade nos media, incluindo o cinema) e below the line (relações públicas, promoções, força de vendas, merchandising, patrocínio, mecenato) (p. 72). A autora acaba por referir um quarto conceito essencial, a imagem, desdobrado em duas leituras opostas mas complementares: imagem interna e externa, projectada e percebida, natural e controlada (p. 90).

Trata-se de um importante estudo sobre as marcas, área com grande desenvolvimento no estrangeiro, e que eu tenho referido no blogue (marcas em
Wally Olins, Naomi Klein e Douglas Atkin; relações públicas e publicidade em Al Ries e Laura Ries). Para além de Olins, a leitura do livro lembrou-me autores como Ind, Kapferer, Levitt, Thayer, van Riel, Villafañe, que trabalhei em anos anteriores, em especial quando leccionei Comunicação Empresarial na Universidade Lusófona e estive activo na Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE), no final dos anos 1980 e década seguinte.

Pontos fortes do livro: quase todo o livro. Destaco a imagem da formação da identidade da marca (p. 137), o texto sobre relações públicas e patrocínios (p. 83 e seguintes) e o marketing de relacionamento (p. 45 e seguintes). Pontos fracos do livro: poucas páginas. Saliento o erro (a meu ver) da editora, ao etiquetar com data de 2006 um livro saído para as livrarias no mês que hoje acaba. No livro faltam textos sobre cultura empresarial e uma análise a peças produzidas pela fábrica (nem que fosse apenas a chávena que está na capa). Detecto uma discrepância quanto à localização histórica da teoria hipodérmica (a seguir à Primeira Guerra Mundial e não Segunda) e da teoria dos efeitos limitados. E um índice de temas e nomes (no final do livro) ajudaria.

30.3.07

FOTOGRAFIA E ENGENHARIA


Exposição de Fotografia e Engenharia 1846-2006 INGenuidades, na Fundação Calouste Gulbenkian. No domingo, dia 1 de Abril, o dr. João Caraça promove uma visita guiada.

OS MEUS LIVROS


É a edição de Abril. Grande tema: censura. Escreve Andreia Brites que "A censura de livros e escritores permanece na actualidade, embora, por vezes, adopte novas formas e designações". Salman Rushdie é um nome conhecido por ter fugido à pressão dos fundamentalistas. Mas também os livros sobre Harry Potter. Anos atrás, livros como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (que resultou num inesquecível filme), e O admirável mundo novo, de Aldous Huxley, tinham sido censurados nos Estados Unidos.


LIVROS A EDITAR


Respigo da leitura da revista Os Meus Livros a saída próxima de dois livros, ambos na editora Campo das Letras:

- Kelly Basilio, Mário Jorge Torres, Paula Morão e Teresa Amado, Concerto das artes, e

- José Eduardo Franco e Hermínio Rico (coord.), Padre Manuel Antunes (1918-1985).

29.3.07

NANNI MORETTI E SILVIO BERLUSCONI


Não fiquei propriamente entusiasmado com o filme O caimão, embora no domingo, quando vi o filme, a sala estivesse cheia. Muitos cabelos brancos à espera, se calhar, de um filme político sobre Silvio Berlusconi. Pelos vistos, Moretti tem muitos fãs em espectadores mais velhos.

O filme fora do filme pareceu-me melhor - o retrato da relação de um casal às portas do divórcio: ele um cineasta arruinado que também via fugir, por dívidas, o estúdio onde produzira vários êxitos da série B, que inicia o filme de Nanni Moretti, como também não via que o argumento que lhe deram para a mão era a história de Berlusconi; ela, aparentemente mais bem sucedida, no amor, na vida artística e nas finanças. Mas dela sabe-se menos, pois é ele o centro do filme e sobre o filme que planeara produzir. Passando, aliás, de Cristóvão Colombo para Silvio Berlusconi.


Nanni Moretti acabou por interpretar o papel do antigo primeiro-ministro, planos com que o filme acaba. Mas outros intérpretes de Berlusconi haviam sido recrutados, uns recusaram, outro era o próprio Berlusconi em gravações da televisão, autor e actor de cenas burlescas como as que o próprio encarnou no parlamento Europeu (entre Julho e Dezembro de 2003, Berlusconi ocupou a presidência da União Europeia).

O livro de Paul Ginsborg, Silvio Berlusconi. Televisión, poder y patrimonio, saído em Itália um pouco antes do filme de Moretti (2005) e traduzido para castelhano o ano passado, dá uma ideia mais precisa do antigo primeiro-ministro italiano, da sua vida e dos seus negócios - e de onde eu tiro algumas notas.

Berlusconi nasceu em 1936 em Milão. Aos 16 anos, tocaria em vários clubes nocturnos e apresentava espectáculos em transantlânticos. Depois, regressou a casa e estudou direito, após o que se dedicou à construção civil, sendo o planificador da construção de um complexo de edifícios de apartamentos para cerca de 4 mil pessoas.

O seu terceiro projecto, Milano 2 (1970-1979), seria um complexo para albergar dez mil pessoas. A grande atracção do projecto Milano 2 foi a instalação de um canal gratuito de televisão (1974). Embora Berlusconi o considerasse um serviço optativo interessante, o certo é que ele seria o começo do seu império televisivo.

Ainda hoje há dúvidas quanto ao financiamento do projecto Milano 2 e do seu sucessor, o Milano 3. Suspeita-se que o dinheiro tenha vindo de empresas em paraísos fiscais ou de caixas chinesas da finança. A loja maçónica P2 também está nessa encruzilhada. No filme de Moretti, o dinheiro cai, metaforicamente, do tecto da casa onde estava o empresário-político.

Televisão (e filmoteca), publicidade (a sua Publitália com o slogan: "Não vendo espaços, vendo vendas") e futebol (AC Milan) foram o novo triângulo das actividades de Berlusconi que, entretanto, se havia divorciado e casado com uma estrela de cinema (Verónica Lario), mais nova 20 anos que ele.

Seguir-se-ia a política. A Casa das Liberdades, o partido de Berlusconi, ganharia as eleições de 2001, com 45,5% dos votos entrados nas urnas, um pouco mais do que a coligação da Oliveira (43,8%). Televisão e poder político "casavam-se". Paul Ginsborg, crítico de Berlusconi ainda mais acutilante que Nanni Moretti, descreve a televisão dentro dos seguintes moldes: 1) atenção aos índices de audiência (tipo: dar ao povo o que ele quer), 2) tendência para a televisão influenciar crescentemente a aquisição de bens, 3) marca cultural limitada e conformista. Acrescenta Ginsborg: além disso, uma televisão de qualidade repetitiva e pouco edificante, saturada de anúncios e técnicas de venda (observação: o produtor falido do filme de Moretti ainda tem um pequeno negócio no seu estúdio, exactamente as televendas).


Paul Ginsborg é professor de História na Universidade de Florença. Dois dos livros que publicou chamam-se A history of contemporary Italy e Italy and its discontents. Nos anos mais recentes esteve na linha da frente da mobilização da sociedade civil italiana em defesa da democracia.

HÁBITOS DE AUDIÊNCIA DA RÁDIO


Na edição mais recente da newsletter da Marktest (27 de Março), escreve-se sobre a mudança, nos últimos anos, do comportamento dos portugueses em termos de audiência de rádio, bem como o perfil dos ouvintes da rádio. Nesta mensagem, seguimos de perto o texto da Marktest.

Entre 1997 e 2006, o consumo de rádio em casa decresceu cerca de 39%, ao passo que a escuta de rádio no carro subiu 65%. O automóvel é, desde 2005, o local onde mais Portugueses ouvem rádio. Por outro lado, cerca de 10% ouve, diariamente, rádio no local de trabalho.

Quanto ao tempo médio de escuta diária entre 1997 e 2006, existe uma grande estabilidade. Sendo o carro o local onde mais indivíduos ouvem rádio, o tempo médio mantém-se próximo das duas horas diárias ao longo do período abordado. Já a audição no local de trabalho subiu e a escuta em casa teve uma ligeira descida. Há uma tendência para concentrar a escuta em dois períodos do dia - 08:00 às 10:00 e 17:00 às 20:00 -, períodos de deslocação casa/trabalho e vice-versa.

Quem ouve rádio são, maioritariamente, homens, entre os 15 e os 44 anos, classes Alta, Média/alta e Média, no Grande Porto, Litoral Norte e Grande Lisboa. A rádio é a companhia diária de perto de 60% do universo de perto de 8,3 milhões de indivíduos residentes no continente, com 15 ou mais anos.


No estudo da Marktest, há ainda uma comparação do meio rádio com a escuta em Espanha. Entre 1997 e 2006, a média de ouvintes em Espanha está abaixo dos valores registados em Portugal (respectivamente 54,8% e 57,4%).

28.3.07

EDIÇÃO DE REVISTA

A celebração do terceiro ano do PISA-PAPÉIS vai acontecer nos próximos minutos, com o lançamento do PISA-PAPÉIS 07/08, Roteiro que representa profissionais e entidades das mais diversas artes do espectáculo de todo o país.

CICLO: ARTE_LUGAR DE TRANSVERSALIDADE[S]

Na última sessão do ciclo dedicado ao papel das indústrias criativas na cidade contemporânea - amanhã, dia 29, pelas 18:00, José Pacheco Pereira e Manuel Falcão (ex-director do Canal 2) vão discutir, com moderação de Luís Serpa, a relação entre os novos media e a cultura [livraria Bulhosa, ao Campo Grande, em Lisboa].

Nas palavras da organização:

  • O desenvolvimento das Indústrias Criativas [Arquitectura, Mercado Artes Visuais & Antiguidades, Audiovisuais - Televisão & Rádio, Artes Performativas & Entretenimento, Cinema e Vídeo, Design - Gráfico & Produto, Escrita e Publicação, Moda, Música, Software Educacional e Lazer, Publicidade] carece da implementação de uma Nova Classe Criativa [aquela que concebe produtos culturais com pertinência comercial tão diversas como a ciência, a engenharia, a arquitectura, o software, a tecnologia, a arte e o design, a moda, a música e/ou o entretenimento].

    As Conversas na Bulhosa - A[s] Cidade[s] e as Indústrias Criativas propõem-se revitalizar a discussão sobre as potencialidades das Parcerias Estratégicas para a apresentação de projectos inovadores considerados como um driving force do crescimento económico da(s) cidade(s) integrados no conceito das Novas Geografias Cosmopolitas.

O BLOGUE DE CARLOS ROMÃO


É um espaço fantástico o do blogue de Carlos Romão, A Cidade Surpreendente. Já aqui fiz várias referências a ele, nomeadamente em 1 de Julho de 2005. Desde 28 de Janeiro último, Carlos Romão não tem colocado mensagens no seu blogue, mas eu sei que ele vai regressar em breve.

Com sua autorização, retiro imagens e texto incluídos por ele na mensagem de
20 de Janeiro último, intitulada Onde a tradição ainda é o que era. Vale a pena espreitar o seu blogue (e ainda o Álbum Cidade Surpreendente).

A singularidade da figura oitocentista da montra, deslocada no tempo há gerações, serena e levemente altiva, a par da peculiar actividade de produção de cabeleiras num ambiente fin-de-siécle, elevam a pequena loja conhecida como Cardoso Cabeleireiro, na Rua do Bonjardim, à condição de instituição urbana portuense.

Quando lá entrei estava Horácio Teixeira a «fazer a franja», a prender e a alinhar com destreza, num fio esticado, conjuntos de seis a nove cabelos. Para formar uma cabeleira são precisas 2000 fiadas destas, que podem demorar três dias a concluir. Trabalha com cabelo natural, matéria-prima que já foi mais fácil de encontrar. «Hoje os cabelos usam-se curtos; para serem trabalhados têm que ter no mínimo vinte centímetros de comprimento», diz-me.


A actividade já teve melhores dias, «no tempo em que os actores do Sá da Bandeira vestiam a rigor». «Hoje, um actor», mesmo que vá representar o papel de Luís XV, «entra no palco de qualquer maneira», acrescenta.

Nada é como era, com excepção daquele estabelecimento. Ali impera a tradição, patente num conjunto de mais de 300 cabeleiras para alugar - de senhores e de vassalos, de santos e de anjos - tratadas pelo mesmo método e com os mesmos instrumentos que eram usados há cem anos, quando a casa foi fundada.

Jerónimo Cardoso Jorge, o fundador, regressou ao Porto após ter visitado a Feira Universal de Paris em 1900, carregado de revistas e entusiasmado com o que tinha visto e aprendido por lá. Em 1906 alugou o edifício da Rua do Bonjardim, instalou a casa de família no primeiro andar e a loja no rés-do-chão, trabalhando como cabeleireiro e fabricante de perucas, capachinhos e bigodes. Chamou os sobrinhos, Manuel e António, para junto de si e, incansável, continuou a viajar por França e Espanha, donde trazia cabelo, e por Portugal e pelo Brasil, angariando clientes.

Morreu em 1920 deixando o negócio nas mãos dos sobrinhos. António desapareceu em 1973 e o irmão em 1988. Sem descendentes directos confiaram a casa a Horácio Teixeira e a Israel Matos, os seus mais leais empregados. Horácio, hoje com 61 anos, começou como aprendiz, aos 10 anos de idade, «depois de ter completado a 4ª classe». Israel foi introduzido na arte por um vizinho, empregado da loja, em 1965, quando tinha 11 anos.

A actividade da casa tem a época alta a partir da Páscoa, coincidindo com as festividades religiosas até Setembro. Nos restantes meses do ano «aguenta-se, há sempre que fazer».

Pergunto a Horácio Teixeira o que acontecerá à loja quando se cansar de exercer a profissão. Responde-me encolhendo os ombros e levantando as sobrancelhas, ao mesmo tempo que afasta os braços com as mãos abertas. Teve «três miúdos aprendizes» que se desinteressaram pela arte. Provavelmente fechará.

[Texto e imagens de Carlos Romão, em A Cidade Surpreendente]

27.3.07

UM ABRAÇO A JOSÉ CARLOS ABRANTES

Foi bom voltar a lê-lo na coluna do provedor do leitor do Diário de Notícias.

Continuação de excelente saúde.

VISITA AO MUSEU


Amanhã, dia 28, pelas 18:00, no Museu Nacional de Arte Antiga, haverá uma visita guiada à obra de Hans Memling, Virgem com o menino.

A apresentação da obra será feita por Ana Castro Henriques e Teresa Pacheco Pereira
.

ARS SACRA


O Sector dos Bens Culturais da Igreja do Patriarcado de Lisboa, promove nos próximos dias 20 e 21 de Abril, o I Ciclo de Conferências para o Estudo dos Bens Culturais da Igreja, Ars Sacra. Formas de Religiosidade e Sacralidade nas Artes Decorativas Portuguesas. O curso será coordenado cientificamente por D. Carlos Moreira Azevedo, Pe. António Pedro Boto de Oliveira e Dra. Sandra Costa Saldanha e terá lugar na sacristia da Igreja Paroquial de Santa Catarina – Paulistas, na Calçada do Combro em Lisboa.

Segundo informação da organização, o "Evento circunscrito ao vasto património cultural da Igreja, visa abordar a multiplicidade de valências artísticas que um espaço religioso encerra, através da divulgação de trabalhos recentes de investigação científica, da autoria de diversos especialistas nacionais. Promovendo a reflexão e o debate interdisciplinar, pretende sensibilizar para a importância que o seu estudo desempenha na valorização efectiva desse legado, junto de todos quantos lidam de perto com os Bens Culturais da Igreja, nomeadamente sacerdotes, religiosos, investigadores, instituições e fiéis".

Informações suplementares: ver sítios do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (
www.ecclesia.pt/bensculturais) e do Patriarcado de Lisboa (http://www.patriarcado-lisboa.pt/) ou telefones 213464443 e 218810500.

PRIMEIRA REDE EDITORIAL DE BLOGUES

O portal da primeira rede editorial de blogues em Portugal é apresentado publicamente hoje, conforme já havia anunciado aqui.

No endereço TubarãoEsquilo, vai mostrar-se "o rosto dos mais de vinte autores que desde o Outono têm vindo a aderir ao projecto pioneiro, bem como os seus trabalhos. Com um jornalista como pivot, a TubarãoEsquilo assume-se como um projecto editorial profissionalizante: os autores são remunerados em função dos resultados alcançados, remuneração esta assente, na fase de arranque, nas receitas de publicidade.A rede não tem pretensões no campo do jornalismo nem tenciona constituir-se como alternativa aos meios - embora entre a vintena inicial de autores constem os nomes de alguns jornalistas", diz a informação disponibilizada pela nova rede.

Paulo Querido, o pivot da rede, "ressalva todavia que a rede virá a agenciar uma parte das matérias produzidas, servindo como um marketplace de conteúdos originais. Além dessa função de complementaridade, a TubarãoEsquilo inova através do fornecimento de informação em novos suportes visuais, por iniciativa dos autores ou a pedido de clientes, introduzindo em Portugal a programação informática como ferramenta jornalística.A rede editorial está em formação desde Outubro. Entre os primeiros blogues estão, já, alguns líderes de sector. O Economia & Finanças (economiafinancas.com), de Rui Cerdeira Branco, é o blogue português de economia mais consultado da Internet e está entre o top que lidera as audiências da blogosfera. O Remixtures (remixtures.com) tem em Afonso Caetano o autor de referência em matéria de cibercultura, tratando temas emergentes como os novos licenciamentos, o copy-left e a discussão sobre os direitos de autor. O Teknologico (teknologico.net) e o na Web 2 (naweb2.com) seguem a actualidade da Web 2.0. Há também lugar para as escolhas culturais (Modus Vivendi, Ideias Soltas) e históricas (Carreira da Índia)".

Observação: informação disponibilizada inteiramente por Paulo Querido.

26.3.07

"DECIDA VOCÊ" NA TELEVISÃO


Os cartazes diziam: "Decida você". Mais de 40% escolheram Salazar, seguindo-se Cunhal. Na minha perspectiva, foram más opções. Triunfou o militantismo das opiniões ideológicas. De entre os portugueses já mortos - porque foram os escolhidos na parte final do concurso -, há, inegavelmente, exemplos mais adequados de bons e justos.

Houve um lado de ridículo no concurso "Os grandes portugueses", visível no dispositivo televisivo. Ontem, falava-se em bravura e coragem. Não sei se as pessoas que "representavam" determinadas personalidades do passado nacional tinham competência para assumirem essa função. Depois, cada "representante" tinha um tempo limitado para defender o seu "representante", como se fosse um Quiz (teste) qualquer. As figuras (cartão?) que "representavam" as personalidades eram feias (não devo empregar a palavra "tosca").

No debate sobre o concurso que se estabeleceu na opinião pública surgiram múltiplas posições, várias delas acaloradas e, por isso, despidas de bom senso. No fim de contas, tratou-se de um mero concurso de televisão, o qual aproveitou o canal onde foi emitido o concurso, ao pôr as pessoas a falarem dele. Eis uma razão positiva: relembrar figuras da História de Portugal, goste-se ou não.


Mas, para além desse lado de ridículo, devemos olhar o concurso dentro das narrativas da pós-televisão (ver aqui). Na pós-televisão, há pequenos canais especializados e audiência reduzida, com o espectador a ser programador do que vê. No caso de "Os grandes portugueses", o espectador-militante usou o telefone para influir na votação, o que acontece desde o primeiro Big Brother (na TVI). Votar em Salazar seria uma outra versão do votar no Zé Maria. Eis uma razão negativa: abandonar o serviço público e entrar no infotainment (não devo usar a palavra "tablóide").


REVISTA COMUNICAÇÃO & CULTURA


Está aberto o Call for papers dos números 4 e 5 da revista Comunicação & Cultura, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, com temas principais respectivamente Terror e terrorismos e Mediatização da dor.

Data de fecho de comunicações a apreciação: 1) nº 4 - até 1 de Maio de 2007, 2) nº 5 - até 30 de Outubro de 2007. Para saber mais, clicar
aqui.

Os trabalhos a submeter deverão estar de acordo com as normas de publicação da revista, podendo ser enviados para um dos seguintes endereços:

E-mail:
comunicultura@fch.ucp.pt

Endereço físico: Universidade Católica Portuguesa
Faculdade de Ciências Humanas
Palma de Cima
1649-023 Lisboa

X JORNADAS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Na Universidade do Minho (Braga), amanhã e depois de amanhã (clicar em cima da imagem para ampliar).

JORNADAS DE COMUNICAÇÃO NO ISCSP

De hoje até depois de amanhã.

25.3.07

JORNALISMOPORTONET


O JornalismoPortoNet, espaço do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, tem uma imagem renovada e novas funcionalidades, com integração multimedia e maior participação dos leitores, mais adequado ao ciberjornalismo.

O novo grafismo e mais funcionalidades do
JornalismoPortoNet apresentou-se na passada quinta-feira, dia da Universidade do Porto (UP). As mudanças, consideram os autores do espaço da internet, acontecem três anos depois da inauguração do jornal digital (ciberjornal) daquele curso. Incluem vídeos, sons e fotografias dentro de uma mesma peça. O visitante tem a possibilidade de dar notas às notícias, bem como de sugeri-las à comunidade de cibernautas, através de ferramentas como o Domelhor, Newsvine e Del.icio.us.

ANIVERSÁRIO DE ELTON JOHN E DOWNLOAD TOTAL DO SEU CATÁLOGO


Elton John faz hoje 60 anos, escreve Nuno Galopim no Diário de Notícias. Por seu lado, a newsletter do European Journalism Center, de 22 de Março, indica que o músico irá colocar todo o seu catálogo em on-line. Nesta mensagem, sigo os dois textos de muito perto.

Elton John, cujo nome de origem é Reginald Dwight, conhece o sucesso em 1970 com Young song. No ano seguinte, ainda pouco conhecido, toca no festival de Vilar de Mouros. Uma das diabruras que fez então foi dançar em cima do piano, partindo o aparelho. Depois, em 1972, lança a editora Rocket Records (que retirou do nome da canção Rocket man). Já mais perto de nós, em 1997, canta no funeral da princesa inglesa Diana Spencer a sua canção de 1976 Candle in the wind, fazendo as vendas saltarem para o primeiro lugar (30 milhões de cópias).

Agora, com o aniversário, Elton John disponibiliza mais de 30 álbuns em descarregamento digital, num total de cerca de 400 músicas. Isto é, um catálogo inteiro de um artista que vendeu mais de 200 milhões de cópias numa carreira de mais de 40 anos. Elton John já havia lançado em on-line e nos Estados Unidos alguns dos seus trabalhos mais recentes, mas é a primeira vez que o faz deste modo. O catálogo estará disponível exclusivamente através do serviço iTunes da Apple, de amanhã até 30 de Abril, após o que ficará disponível noutros serviços legais de descarregamento electrónico.

24.3.07

TUBARÃO ESQUILO, DE PAULO QUERIDO

Paulo Querido, do blogue Mas certamente que sim..., anuncia para a próxima terça-feira, dia 27, a "apresentação pública do website da nova espécie da web lusófona, a rede TubarãoEsquilo (grafia oficial). Em tubaraoesquilo.pt".

Jornalista (Expresso) e pioneiro na criação do
weblog.com.pt, esta nova proposta apresenta-se como uma rede de blogues. Retiro uma explicação sucinta do TubarãoEsquilo a partir da notícia escrita em JornalismoPortoNet: "vai reunir os «posts» mais recentes dos blogues agregados, peças multimédia e comentários dos leitores. O portal conta já com a participação de 24 «bloggers» de diversas áreas, mas o número deve crescer. Entre os participantes, estão os blogues Teknologico, Adufe, NaWeb2 e Memória Virtual. Esta rede formada por vários autores visa «muni-los de tecnologias, conceitos e sinergias, que potenciem as suas energias», explica Querido, jornalista e fundador do Weblog.com.pt. A rede editorial de blogues vai ser suportada pela publicidade. Os blogues agregados serão remunerados em função do investimento publicitário".

Paulo Querido fala em "cerca de 25 projectos editoriais nos quais, usando as melhores ferramentas do blogging, participam outros tantos autores". Explica ainda que, "entre os primeiros serviços de arranque estará, claro, o agregador dos textos e peças multimedia resultantes da actividade editorial dos membros".

POR VOLTA DOS ANOS DE 1930


Nunca havia olhado para estas fotografias. Conheci a senhora que, em criança, aparece na primeira fotografia, o ano passado falecida. Do grupo de músicos nunca soube da sua existência. Logo, vou efabular quase tudo.


A menina, ida ao fotógrafo de propósito, tem um pequeno fio em torno do pescoço e outros fios em ambos os pulsos, presumivelmente de ouro. Seria Verão, dado o vestido de mangas curtas. Os sapatos parece terem já algum uso, apesar de polidos. O cabelo é encaracolado e o ar triste ou amedrontado. Não sei se se trataria apenas do impacto perante o fotógrafo - possivelmente a primeira ida ao estúdio e a necessidade de se manter quieta, com o braço direito apoiado na cadeira, algo desconfortável porque ela era ainda pequena para a posição. Teria quê, quatro anos? Se sim, estaríamos em 1928, já dentro do tempo da Ditadura Militar que haveria de catapultar Salazar, o homem de quem se volta a falar: um concurso na televisão, um museu na sua terra natal e até um musical, como um jornal de hoje afirma.

Como seria a sua vida, brincava muito com os seus irmãos? E a mãe como se ocupava dela? Ou teria já falecido, vitimada pela tuberculose que afectou muitas pessoas da área onde vivia?

Do conhecimento - como se fosse um eco longínquo - da história de vida da criança, salto para a fotografia dos quatro músicos. No chão, vêem-se três instrumentos de corda e uma bateria. Não possuo conhecimentos para afirmar de que tipo de agrupamento se trata. Tocariam em festas um repertório popular? E passaram por alguma estação de rádio?

Apesar das duas fotografias estarem no mesmo lote, não sei se haveria algum laço de familiaridade ou de amizade entre a menina e algum dos músicos. Nem sei se pertenceriam à mesma época. Pela roupa e penteados, é possível as fotografias serem de período próximo. São rostos urbanos mas, pelo olhar duro e tímido, não viveriam economicamente muito bem. A música seria um espaço de amadorismo, se calhar a partir de uma associação de bairro. Distingue-se bem que um dos músicos é mais velho e de estatura mais baixa, enquanto os dois homens do meio envergam uma espécie de fita como hoje usam os músicos que prendem a si os instrumentos que tocam. A pose é feita de propósito para a fotografia, com os corpos muito rígidos. Por trás dos quatro homens, parece haver uma tela, como se fosse um palco. Mas há uma parte da imagem, em cada um dos lados da fotografia, sem continuidade dessa tela. E existe um degrau à esquerda.


Adenda (colocada em 27 de Março)

Recupero, aqui, um comentário recebido pelo correio electrónico e um colocado na própria mensagem, a quem agradeço profundamente:


Fiquei "encantada" com o seu artigo com uma efabulação sobre duas fotos de ± 1930. Tenho inúmeras fotos desse tipo, tanto de pais e avós, como de trisavós. Para o cenário era requerida a mesma sisudez exigida aos rostos de todas as idades. Os adereços e os adornos eram preferentemente paisagísticos ou protocolares. Exibiam-se florestas e salões onde era pedida distinção às personagens da encenação.

Outro tipo de fotos da transição de século, bem mais curioso porque livre de alguns desses constrangimentos, era o dos grupos familiares. Aqui, as pessoas sentavam-se ou encostavam-se, predominantemente num exterior de prados ou escadarias, exibindo já um esquivo e cerimonioso sorriso.

Todavia, as minhas preferidas são as dos fotógrafos de rua, que protagonizei em criança. Levada a passear por empregadas (então criadas), ansiava pela foto mensal onde os seus sorrisos exuberantes deixavam um admirável registo de descontracção.

MJE

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Jorge Guimarães Silva said...

Se os músicos da fotografia forem portugueses, o conjunto é, no mínimo, estranho: Bateria, Banjo, Guitarra e Viola de arco. Pela configuração, pode ser um dos primeiros grupos de Jazz que existiram em Portugal e que remontam à década de 1920. No entanto, também podem ser um conjunto folk americano. O banjo é estranho, já que o braço é muito curto e não me parece ter corda de polegar. É um instrumento típico da música folk norte-americana. Foi levado por escravos africanos para a América e tornou-se o instrumento típico dos negros, sendo muito utilizado no Jazz. Mais tarde, popularizou-se na Inglaterra, mas o mesmo não aconteceu no resto da Europa. A configuração da guitarra (clássica ou espanhola, mas que é também conhecida como viola ou violão) também é estranha, pois os parafusos-sem-fim estão no topo do cravelhame - como na guitarra portuguesa - ao contrário das guitarras comuns em que os parafusos estão de lado. O instrumento que está ao centro, em frente à bateria, parece ser uma viola de arco (ou violeta) e não um violino, pelo seu tamanho. Os violinos costumam ser mais pequenos. Usei o arco como referência. A bateria da foto é típica dos princípios do século XX. Os fatos dos músicos parecem ser de finais da década de 1920. Para já, do que mostra a foto é só o que posso dizer.

23.3.07

TEATRO NO MONTIJO


Amanhã, dia 24, no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida (Montijo), em ligação com a Artemrede – Teatros Associados - é apresentado, pelas 21h30, o espectáculo Submersão do Meu Ser.

Com coreografia de Rita Galo e Rita Torrão, Submersão do Meu Ser é inspirada nas formas imaginárias e figurações demoníacas criadas por Hieronymus Bosch (1450-1516), e interpretada por Alexandrina Nogueira, Carla Jordão, David Silva, Jack Jones, Rita Galo, Theresa da Silva e Tiago Careto.


Submersão do Meu Ser tem figurinos de Ana Saraiva, desenho de luz de Pedro Machado, e som, edição e mistura de José Manuel Pacheco [não consegui saber o nome do autor da fotografia que acompanha esta mensagem] [para ampliar a imagem, clicar em cima dela].

O preço único é de €5. Como amanhã é Dia Nacional do Estudante, os estudantes ainda beneficiarão de um desconto. O Cinema Teatro Joaquim D’ Almeida fica na rua Joaquim de Almeida, no Montijo. Para saber mais, telefonar para 212327880/82.

AS FONTES DAS NOTÍCIAS


É do que falarei hoje ao fim da tarde, na Universidade Católica Portuguesa.


11% DOS LARES COM TELEVISORES DE LCD OU PLASMA


11% dos lares já tem LCD ou Plasma, estima a Marktest, na sua mais recente newsletter.

Assim, conforme dados recolhidos pelo Estudo de Base na segunda metade do ano de 2006, cerca de 11% dos lares já adquiriu este tipo de televisores. A Marktest começou a incluir estes receptores no seu Painel de audiências, embora considere mais complexa a sua ligação técnica.

Considera a Marktest (Audimetria) que as evoluções tecnológicas, quer na emissão quer na recepção televisiva, merecem atenção tendo em vista medições mais adequadas.

VÍDEOS

  • Os grupos de media norte-americanos News Corporation e NBC Universal vão lançar um sítio de vídeos online para concorrer com o You Tube. A News Corporation, que detém, entre outros, o canal FOX, e a NBC revelou que o seu projecto terá vídeos dos diversos canais e produtoras pertencentes às duas empresas, caso de séries como Heroes, Saturday Night Live, 24 e Simpsons. Falta definir se, como no You Tube, o novo sítio permite a utilizadores colocarem online os seus vídeos.
Fonte: Meios e Publicidade de hoje (texto de Hugo Real)

JORNADAS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL EM BRAGA


O GACSUM (Grupo dos Alunos de Comunicação Social da Universidade do Minho) organiza, nos próximos dias 27 e 28, as X Jornadas de Comunicação Social da Universidade do Minho. Subordinadas ao tema Novos media: uma Babel às costas, as jornadas decorrem no Auditório ICS/ EE2, Universidade do Minho, Braga, com entrada livre.

Das conferências ou outras actividades destaco as seguintes:

Dia 27
10:30 - Reputações virtuais? Com Jaime Teixeira (Futebol Clube do Porto), Paulo Brandão (Teatro-Circo), Vasco Ribeiro (Universidade do Porto). Moderadora: Helena Sousa.

14:00 - Futuro sem intermediários? Com José Alberto Carvalho (RTP), Pedro Leal (Rádio Renascença), Sérgio Gomes (Público), Paulo Ferreira (Jornal de Notícias). Moderador: Manuel Pinto.

Dia 28
9:30 - Imagem dispensa palavra? Com Anabela Gradim (Universidade da Beira Interior), Teresa Cruz (Universidade Nova de Lisboa). Moderador: Moisés Martins.

11:30 - Conferência de Bill Kovach (autor de Os Elementos do Jornalismo), em colaboração com o Clube dos Jornalistas. Moderador: Joaquim Fidalgo.


14:30 - Os novos criativos – O consumidor-criador. Com Pedro Pacheco (criativo), Maria João Vasconcelos, Augusto Fraga (realizador de filmes publicitários). Moderadora: Sara Balonas.

Nas Jornadas, haverá ainda o lançamento dos livros Comunicação e lusofonia - para uma abordagem crítica da cultura e dos media, de Moisés Martins, Helena Sousa e Rosa Cabecinhas, e Marcas e identidades. Guia da concepção e gestão das marcas comerciais, de Teresa Ruão. Bem como a exibição do spot de promoção para a realização do teste VIH/SIDA, da autoria de Edna Ramos, Elisabete Morais, Flávio Matos, Manuel Costa e Manuela Couto, alunos finalistas do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho (vencedores do concurso promovido pela Comissão Nacional de Luta contra a SIDA).

22.3.07

NOTÍCIA DO MERCADO LIVREIRO


Vale €530 milhões o mercado livreiro português, lê-se em notícia do Diário de Notícias de hoje (assinado: IL). Aquele valor diz respeito à facturação global em 2006 e representa um aumento de 2,3% no volume de vendas. O que, no entender do texto baseado em estudo de empresa espanhola (DBK), mostra uma tendência moderada, em que o amadurecimento do mercado, o baixo índice de leitura e as alternativas ao entretenimento são justificações.

Sabe-se que haverá cerca de 350 empresas, com uma média de 8 trabalhadores cada uma. As cinco principais editoras (Porto Editora, Círculo de Leitores, Texto Editora, Asa e Ediclube) representam 30% do mercado.

Outro dado recolhido nesta leitura aponta a inexistência de números sobre a edição desde 1999 - situação indesculpável. Razão: não compete ao INE (Instituto Nacional de Estatística) mas à APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) a recolha de informação. Um último elemento diz respeito à encomenda de dois estudos ao Observatório de Actividades Culturais por parte do Ministério da Cultura, sobre hábitos de leitura e o sector livreiro.

SECOND LIFE


A turma de jornalismo aprende em ambiente virtual. Está-se na aula de Hipermedia e Estruturas Narrativas do 3 ºano de licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (texto de Andrea Cunha Freitas, Público de hoje). O professor Paulo Frias decidiu usar o programa Second Life como ambiente de trabalho.

A FEBRE DA PLAYSTATION 3


Faltam duas horas para se venderem PlayStations 3 nas lojas do país (casos da Fnac, Toys"R"Us, Media Markt, Worten e El Corte Inglés)!

Diz o Diário de Notícias: "É um dos lançamentos mais aguardados no mercado tecnológico devido às suas potencialidades" (texto de Diana Mendes e Tiago Pereira). Escreve o Público: "Ainda lhe chamam consola de jogos, mas a Sony apresenta-se como um centro de entretenimento que também serve para ver filmes ou aceder à Internet" (texto de Isabel Gorjão Santos).


Custando €599,99, os objectivos dos responsáveis da Sony em Portugal querem vender 12 mil consolas num mês. Vender-se-á apenas a versão mais completa da PS3, com comandos wireless e disco rígido de 60Gbytes. Mas o disco pode ser ainda ampliado, o que permite ainda possibilidades acrescidas no online. Acessórios e 30 jogos, dos quais 5 da Sony, vão também estar à venda. Topo de gama, e também mais cara que as consolas concorrentes, parece ser uma "máquina sofisticada para um público de iniciados" ou para "jogadores profissionais" (Público). Mais para o fim do ano, a PlayStation Home, espécie de casa virtual, trará a atracção de jogos como o Second Life: ir às compras, partilhar música, jogar com personagens virtuais.

Os fãs esperam ainda que a nova consola seja compatível com os jogos antigos.

ESTUDOS DE TELEVISÃO


Escreve Francisco Rui Cádima, no blogue irreal tv, que, com um conjunto de "dezena e meia de investigadores e professores das diferentes universidades portuguesas, a SOPCOM prepara um GT - Grupo de Trabalho na área dos Estudos de Televisão". O texto de apresentação da proposta, conforme se lê no mesmo blogue, é:
  • Dada a necessidade sentida por alguns membros de se activar, no quadro da SOPCOM, um grupo de trabalho na áreas dos Estudos de Televisão, aplicados mais em específico, ao contrário do que acontecia no passado, às áreas dos conteúdos – prioritariamente na dupla vertente programas/públicos – e no sentido de procurarmos, enquanto SOPCOM, ter uma voz activa no quadro da oferta televisiva em Portugal, vimos propor aos colegas da SOPCOM interessados em participar activamente nesta área que manifestem o seu interesse aos subscritores da proposta.

    Naturalmente que é objecto prioritário deste programa a oferta da televisão generalista em Portugal, a sua programação e informação; a análise da qualidade, da diversidade e do pluralismo do serviço público de televisão; outros estudos específicos; não esquecendo outras realidades complementares como o cabo, os canais temáticos e a televisão digital, focalizando essencialmente nas questões de conteúdo e, nestas, em particular na sua dupla vertente emissão/recepção.

    A todos os que se identificarem com a importância destas matérias e com a necessidade de intervenção da SOPCOM neste âmbito, solicitamos que nos dêem eco da disponibilidade em participarem, de modo a que, com as diferentes contribuições e um plano de actividades adequado, possamos gerar no seio deste GT um conjunto de estudos relevantes no plano académico e interuniversitário a nível nacional.

    Fica desde já prevista uma reunião geral de todos os inscritos se possível ainda neste semestre, a fim de elaborarmos consensualmente um caderno de intenções e um plano de actividades a desenvolver.
Do grupo inicial, para além de Francisco Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa), fazem parte Felisbela Lopes, Manuel Pinto e Sara Pereira (todos da Universidade do Minho), Nilza Sena (Universidade Técnica de Lisboa) e Sandra Sá Couto (Universidade do Porto, jornalista da RTP).

AUDIÊNCIAS DE RÁDIO


No Anuário de Media e Publicidade 2006 (Marktest) sobre rádio, indica-se que os portugueses ouviram uma média de 3 horas e 13 minutos de rádio por dia, em 2006. A liderança coube ao Grupo Renascença (37,7% de share de audiência), seguida do Grupo Media Capital (23,0%), do Grupo RDP (13,1%) e da TSF (5,4%).

Aos dias de semana, a audiência acumulada de véspera foi superior, com 62,5% - uma média de 3 horas e 20 minutos. Aos fins de semana registou-se 40,7% de audiência acumulada de véspera e 4 horas e 49 minutos de tempo médio de audiência. O fenómeno vaivém casa emprego, com escuta do autorádio, será responsável por esta diferença, atendendo ainda a que o período entre as 6:00 e as 10:00 é o prime-time da rádio. Mas, durante o fim-de-semana, há mais tempo para ouvir rádio, possivelmente em horários mais tardios que o pico da semana.

Ainda segundo os dados agora divulgados, os jovens são grandes consumidores deste meio, sendo no grupo etário dos 25 aos 34 anos que se observa maior audiência de rádio. Pelo contrário, há taxas inferiores à média nos mais velhos. Em termos de género, os homens ouvem mais rádio do que as mulheres e, entre as classes sociais, a alta e média alta distanciam-se das restantes no período entre as 7:30m e as 10:00, com consumos acima da média, período do dia em que se concentra a informação noticiosa.


21.3.07

NOTAS SOBRE A REVISTA VIRAGEM (1980)



Só conheci os números 6 e 7 da revista Viragem, penso que os dois últimos números. Estava-se em 1980.

Detecta-se uma origem católica nos seus responsáveis e redactores, mas o marxismo estava na ordem do dia. Daí o seu questionamento, visível no penúltimo número: "Jean Domenach, numa entrevista que em 78 deu à revista Abril, interrogado sobre a superação do marxismo, respondia: «Mas isso interessa-me pouco. Supera-se Marx como se supera Descartes. Somos todos cartesianos. Sejamos marxistas». Domenach equacionou bem o problema, na medida em que distingue um posicionamento de sistema, duma atitude crítica que procura assimilar todas as conquistas do pensamento humano".

A perspectiva (conflitual) é mais evidente na entrevista concedida pelo padre Manuel Antunes, sobre a (mesma) crise do marxismo: "Creio que é um facto adquirido que nos anos setenta o marxismo se encontrou em crise. Mas essa crise não é específica dos anos setenta. Essa crise vem de trás. [...] Eu não diria que Marx está morto, eu diria apenas que, sobretudo ao longo dos anos setenta, Marx foi reduzido às suas dimensões, ou seja, às dimensões de um grande clássico do pensamento económico e social".

Revista que pretendia editar quatro números por ano, era dirigida por jovens recém-licenciados, saídos da Universidade do Porto. Manuel Pinto, na direcção e seu proprietário, era acompanhado por Isabel Margarida Duarte, Joaquim Azevedo e João Alexandre (não conheci este colaborador) na redacção. Num dos depoimentos, aparecia o nome de Augusto Santos Silva. Paulo Bateira assinaria um longo texto sobre medicina, já com vasta bibliografia em língua inglesa. Jorge Fiel, talvez o mais radical do grupo, escreveria sobre futebol. Um grupo que hoje tem protagonismo ou faz carreira sólida na política, no ensino universitário, no associativismo empresarial, no jornalismo e na ciência.

O número 6 procura fazer um balanço da década anterior. O editorial é preciso: "Transitámos da condição de militantes convictos, imbuídos de um grande idealismo político e moral e situados num quadro mental rígido, para a situação nova e «estranha» de pessoas para quem a dúvida se tornou familiar". Por isso, os textos da política à inquietude religiosa e ao despertar para a consciência ecológica e sobre o movimento feminista.

Já o número 7 fala-nos dos tempos livres, do futebol e da televisão. O antropólogo que acabou por não vingar, M. P. (Manuel Pinto), assinaria um belo texto intitulado "A ambiguidade dos tempos livres". O meu exemplar está todo riscado neste texto, fruto do interesse que eu conferi à leitura do tema. Respigo uma frase: "Um caso típico é o (pouco conhecido) papel que a televisão tem no interior da família, considerada não apenas sob o aspecto do número de horas que incita a gastar diante do aparelho, como especialmente pelos conteúdos e mensagem que veicula". A tese de doutoramento do jovem director ainda vinha longe - mas o interesse já lá estava: a televisão e a família; no caso pessoal, o impacto sobre as crianças. E a Universidade do Minho, onde Manuel Pinto ingressaria alguns anos depois, tem hoje um forte núcleo de investigação em televisão.


A revista precisava de angariar 1500 assinaturas (tiragem 2500 exemplares). Assumia-se como "instrumento importante na renovação mental e moral que se coloca hoje como imperativo à juventude portuguesa" (número 7). Eu catalogá-la-ia como revista cultural, à espera de ser estudada como outras publicações da época.

20.3.07

JORNALISMO E JORNALISTAS


Jornalismo e democracia é o título do mais recente número da revista Jornalismo e Jornalistas (nº 29), editada pelo Clube dos Jornalistas. Se quisermos, trata-se de um dos mais bem conseguidos números da publicação dirigida por Eugénio Alves e com Fernando Correia a director editorial.

O assunto de capa tem o recente seminário internacional com o nome de "Actos de democracia", realizado pelo CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo), presidido por Nelson Traquina, também a figura central deste encontro, que reuniu especialistas internacionais (Doris Graber, Kees Brants, James Stanyer, entre outros) e nacionais (Isabel Ferin, João Pissarra Esteves, Rita Figueiras, Pedro Magalhães, Estrela Serrano).


No texto de apresentação do tema de capa, Marisa Torres da Silva inventaria alguns dos tópicos falados no seminário. Retiro o que ela escreve sobre James Stanyer: "No que diz respeito à cobertura jornalística dos congressos partidários, James Stanyer, professor na Universidade de Loughborough, sustentou que a grande política e as discussões mais importantes ficam de fora dos media, que se centram no espectáculo e na controvérsia".

Nas sessões de trabalho em sala, apreciei o trabalho de uma jovem investigadora galega, sobre a qual gostaria de ter escrito mas perdi a oportunidade. A Jornalismo e Jornalistas recuperou-a, e ainda bem. Trata-se de Marta Pérez Pereiro, professora da Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Vigo, que falou sobre os comics nos jornais e Joe Sacco e o seu Gorazde, banda desenhada sobre a tragédia dos Balcãs (Bósnia), numa espécie de olhar do jornalista sobre o seu trabalho numa zona de conflito.

Este número traz também um artigo de Luís Bonixe, que tem trabalhado sobre a rádio. Neste caso, sobre a cobertura radiofónica da campanha presidencial de 2006. Leio na introdução do artigo: "A interpretação sonora que a rádio faz da realidade condiciona o enquadramento que os jornalistas dão aos eventos. A cobertura radiofónica feita pelas rádios portuguesas à campanha eleitoral para a eleição do Presidente da República em 2006 caracterizou-se pela difusão de sons emotivos potenciando os discursos inflamados dos candidatos e as críticas entre adversários políticos. Os temas de interesse público quase estiveram ausentes".

19.3.07

CONFERÊNCIA SOBRE JORNALISMO


No próximo dia 21, pelas 18:30, Carla Baptista (Universidade Nova de Lisboa) dará uma conferência na Hemeroteca Municipal de Lisboa, à rua de S. Pedro de Alcântara, 3, em Lisboa. Tema: "Contexto jornalístico português em 1957", aquando da visita da rainha inglesa Isabel II a Portugal.


CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DOS 50 ANOS DA RTP


Assisti apenas às duas conferências matinais na Gulbenkian.

Primeiro, falou Karol Jakubowicz, do Conselho da Europa. Sob o tema Serviço Público de Televisão: o princípio do fim, ou um novo começo no Século XXI?, ele entende que o serviço público se deve adaptar e modernizar face às necessidades da audiência e às exigências da era digital.

A base do serviço público de televisão - ou PSB em inglês - na Europa residia em dois modelos: o anglo-saxónico (Reino Unido e Alemanha) e o latino (França, Itália, Espanha). Este último, que podemos tornar extensível a Portugal, foi perdendo lentamente a tutela governamental mas ainda não adquiriu uma suficiente estabilização.



Mais recentemente, trabalha-se com três modelos: 1) neoliberal, para quem não é necessário o serviço público, 2) liberal de rosto humano, que aceita algum serviço público, 3) defensor do serviço público. Tal conduz a uma nova interpretação do serviço público, em três etapas, a última das quais é a mais moderna, tendo em conta a revolução da digitalização: 1) multicanais, televisão a pagamento, mas em que o serviço de canal aberto é dominante; 2) televisão a pagamento dominante, crescimento da largura de banda e declínio do serviço de canal aberto, e 3) largura de banda dominante, e dúvidas acerca da manutenção do serviço de canal aberto e conteúdos locais.

Jakubowicz traça, contudo, um cenário futuro positivo para o serviço público de televisão. Isto apesar dos problemas a resolver nos domínios da tecnologia, conteúdo, financiamento e relação com as audiências. Daí o dar ênfase ao PSM [Public Service (electronic) Media], que inclui programas de interactividade, serviços para audiências específicas e serviços pessoais.

Noticiários - tendências

Depois, o CIMDE, Centro de Investigação Media e Democracia, de Joel Frederico da Silveira, apresentou os resultados de uma investigação sob o título Tendência dos telejornais de horário nobre em Portugal 2002-2006. Envolvendo os canais de televisão de sinal aberto (canais de Estado e comerciais), analisaram-se 294 noticiários entre 2002 e 2006, num total de 11605 notícias. Os investigadores falam em noticiários muito longos, quando comparados com congéneres europeus, o que também se reflecte na duração das peças e no número destas.

Retenho alguns elementos da comunicação do grupo de investigadores: 1) duração dos noticiários tem vindo a baixar, 2) igual diminuição da média de duração das peças, 3) redução do número de histórias de interesse humano, 4) maior destaque à política no serviço público, 5) desporto enquanto categoria temática prevalecente, 6) peso mais elevado de cidadãos como intervenientes nas notícias (11% do total), conquanto haja uma quebra nos anos mais recentes, 7) valência verbal negativa (44%), a que se segue a valência verbal neutra (42%).

18.3.07

OBRIGADO, FILIPA OLIVEIRA, PELO COMENTÁRIO QUE COLOCOU NA MINHA MENSAGEM ANTERIOR


"Também recomendo o Colóquio que decorre na segunda e na terça feira na Gulbenkian sobre Televisão e Serviço Público.

"Mas o que me faz estar aqui a comentar é a confirmação que tive, ao assistir no nosso Teatro Nacional de D.Maria II ao espectáculo "A Filha Rebelde" (inteligente fragmentação da reportagem de 2 jornalistas portugueses, José Pedro Castanheira e Waldemar Cruz) e verificar que a casa estava neste fim de semaba praticamente cheia. Vi o mesmo no Vilarett e numa fenomenal interpretação da grandíssima Maria João Luis para uma impressionante encenação de Jorge silva Melo do Stabat Mater.

"Dá-me enorme alegria ver cada vez mais público nas nossas salas de teatro e ver também multiplicar os programas oferecidos. Lisboa teve neste fim de semana mais de 20 espectáculos diferentes em teatro!

"Deixo ao Rogério Santos a sugestão para abrir no seu blogue espaços mais frequentes para a tão carente indústria cultural que é o teatro. Tenho esperança que um dia Portugal possa comparar-se aquela fenomenal revelação que ouvi no podcast do Sena Santos, a de que em Itália, no ano transacto, o teatro teve mais espectadores do que o futebol. Fenomenal! "

Resposta do blogueiro: escrever sobre teatro ou outra indústria criativa depende do meu tempo disponível (e dos espectáculos que vejo). O blogue acolhe comentários ou textos que se coadunem com a linha editorial que venho aqui mantendo, publicando-os com destaque.

COLÓQUIO SOBRE JORNALISMO


No próximo dia 21, pelas 18:00, realiza-se, na Universidade Lusófona (Campo Grande), um colóquio sobre jornalismo e política internacional.

COMBOIOS


O Observer, a propósito da nova estação ferroviária de St Pancras (Londres), escreve que se está a caminho da Idade do Comboio, Versão 2.0. Ou da face pública da nova idade do comboio.

Eu, que gosto de comboios, rejubilo!


De acordo com o que escreve Stephen Bayley, no jornal de hoje, a nova estação iguala ou excede as categorizadas Grand Central, de Nova Iorque, e Gare de Lyon, em Paris. Novembro é o mês de conclusão das obras, com os comboios de alta velocidade a chegarem em 2009. A cidade olímpica será servida, por exemplo.

As palavras usadas no artigo são superlativas: a estação não é burocracia, é o resultado tumultuoso [no sentido de imaginativo] do projecto europeu mais ambicioso de engenharia civil, onde se combina o melhor do antigo com o melhor do novo. Além disso, uma estação ferroviária é, sempre, um produto da psicologia contemporânea.

O jornalista vai mais longe, ao escrever que o sudeste inglês é uma das zonas mais prósperas do planeta, por onde passaram romanos, saxões, normandos e as rainhas Isabel (a primeira) e Vitória.

Em Portugal, arrastamo-nos, meses e anos, a falar do aeroporto da Ota (ou de Alcochete, ou de...) e da linha de alta velocidade. Decisões é que tardam. Depois, ficamos admirados do atraso face à Europa. Atrasados é o que somos!

MÚSICA PORTUGUESA


A rapariguinha do shopping (Rui Veloso) ou a Rosinha dos limões (Max) [pronuncia-se ru:zinha] são duas canções dos discos de oferta da colecção iniciada pelo jornal Público, esta semana.


Se, ontem, as músicas indicavam uma data à volta de 1957, o disco de hoje transporta-nos para a actualidade musical (alguns discos, de onde foram retiradas canções, ainda não sairam).

Numa época de depressão para a música, parece-me uma boa campanha. A que o jornal junta cartazes em mupies.

CULTURGAL


Manuel Bragado, no seu Brétemas, recorda hoje:

"Hai dous anos, a raíz dunha anotación de
Rogerio Santos (parabéns para os seus catro anos de blog) recolliamos a clasificación que Zallo fai das industrias culturais. Unha visión moi clarificadora e útil ás portas da celebración de Culturgal (Feira do Libro e da Industria Cultural), un evento que, polas noticias que recibimos, xa ten case ultimado un magnífico programa de actividades (grandes concertos, conferencias, encontros sectoriais, actividades para nenos e nenas...) e comprometida xa unha numerosa presenza de expositores. Culturgal é un evento que convén seguir coa maior atención".
Obrigado, ao Manolo, pela referência ao meu blogue.
Entretanto, a
Culturgal, Feira do Livro e da Indústria Cultural, vai decorrer em Pontevedra (Galiza), 10 a 13 de Maio. Para além do livro, outros sectores estarão presentes na Feira, como música, audiovisual, novas tecnologias, artesanato derivado do livro e do papel e empresas de comunicação.

17.3.07

PRIMAVERA MUSICAL


Vai decorrer, de 1 de Maio a 13 de Junho, o 13º Festival Internacional de Música de Castelo Branco – Primavera Musical, cujo director artístico é Carlos Semedo.

A alunos dos cursos de Artes e Imagem da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco foi lançado o desafio de produzirem "teasers" em vídeo, relativos ao festival. O primeiro desses pequenos vídeos é o que se edita aqui, feito por Pedro Vicente e Helena Matos (segue-se o programa).



MARCAS DA SEMANA


1) "Assim vai a cultura em Portugal: os medíocres são promovidos, os sofríveis continuam a empatar tudo e os bons vão para a rua" (Jorge Calado, Expresso, a propósito da saída de Paolo Pinamonti). Esta semana, os jornais deram conta do desconforto sobre o despedimento de Pinamonti do Teatro Nacional de S. Carlos. Por essas leituras, a ministra e o secretário de Estado da Cultura têm muitas responsabilidades. O que se lamenta.

2) O suplemento "6ª" (Diário de Notícias) está a ser repensado e Miguel Gaspar (editor executivo e director interino do Diário de Notícias durante a recente fase de transição de direcção) vai para o jornal Público. Suplementos e jornalistas não substituem instituições, entidades maiores que os indivíduos de per si, mas a acontecerem estas alterações quem perde é a instituição.

3) O artigo de Eduardo Cintra Torres no Público de hoje merece destaque. Tema: A bela e o mestre, o novo programa de reality game da TVI. Pavoroso o programa, em especial pelas "belas" animadoras de espaços nocturnos.

4) A página 45 do caderno "Actual" do Expresso de hoje não deveria ter sido publicada. Porque faz uma mistura grosseira de géneros. Explico: as páginas patrocinadas pelo banco Millennium BCP são um modo inteligente de patrocínio. Contudo, a "entrevista" do director do Instituto Português de Museus (IPM) é, afinal, uma página de publicidade - como aparece encabeçada. Do que se trata é de enviar um recado a Dalila Rodrigues, directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que se queixou recentemente de a verba do patrocínio do banco destinada aquele museu ser repartida pelo Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto. A "entrevista" de Manuel Bairrão Oleiro (IPM) coloca a directora do MNAA em dificuldades, pois a página tem a chancela institucional do banco (Oleiro fala da bondade na distribuição de verbas para mais de um museu, com a justificação do corte de 23,3% do orçamento do Estado quanto aos museus). Quando falo de mistura grosseira é porque, do ponto de vista ético, o banco deveria ter mais atenção na colocação de informação. Claro que Dalila Rodrigues (de quem gosto do estilo de trabalhar) tem usado igualmente os media para mandar mensagens aos gestores públicos e políticos - e isto funcionou como boomerang.

QUATRO ANOS DE BLOGUE


A 17 de Março de 2003 começava o presente espaço do Indústrias Culturais, escrevendo: "Este weblogue destina-se a apresentar textos sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, videojogos, publicidade)".

Foi há quatro anos! Quando comecei, não imaginava até onde iria a aventura. Já escrevi 2752 mensagens e recebi 440474 visitantes!

Muito obrigado.

16.3.07

TEXTURAS


Texturas é uma revista madrilena sobre livros e redes e relações em torno do livro, numa dupla presença, a do papel e a do digital, associando o profissional e o artífice. Logo, Texturas leva-nos a um mundo do texto e dos seus conteúdos e significados.



Destado os textos de Roger Chartier (Livrarias e livreiros: histórias de um ofício, desafios do presente) e de José María Barandiarán (Edição, independente ou interdependente?). Neste número inicial, de finais de 2006, de uma muito cuidada estética, saliento ainda o extra-texto, com imagens de Chema Madoz, de que não reproduzo qualquer imagem, pois não pedi permissão.

Retiro do texto de Chartier uma ideia: em todas as épocas, há duas lógicas que se cruzam na relação entre comércio do livro e actividade editorial (pág. 11). A primeira é a lógica do capitalismo comercial, que exige investimentos elevados para comprar o papel necessário a cada edição e pagar a edição, a atenção dada à procura e ao mercado, uma linha de crédito que tem em consideração a confiança dos vários actores do processo económico. A segunda lógica é a do patrocínio. No ancien régime, esta lógica era a do apoio ou benevolência das autoridades políticas (ou, simplesmente, tolerância das obras). As edições sucessivas da Encyclopédie de Diderot e d'Alembert encaixam nesta relação entre edição e poder, entre livreiros editores e poderes, quer políticos quer eclesiásticos.

Contacto: trama@tramaeditorial.es.

Agradecimentos, pelo exemplar, a José María Barandiarán, um dos editores da Texturas. Desejo longa vida à revista.