Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

24.7.05

AUDIÊNCIAS BAIXAS ACONSELHAM FÉRIAS

As audiências do blogue andam muito baixas. Isto aconselha o blogueiro a meter férias para descansar e encontrar temas que atraiam os(as) leitores(as). Assim, nas próximas três semanas, o blogueiro estará poucos dias em Lisboa e procurará outras paragens, da praia à montanha e à descoberta urbana (mix difícil de conseguir), quase sempre para nordeste, a beber ou não as marcas assinaladas nos mupis. Ou apenas uma cerveja acompanhada por um prato de caracóis, ali no bar da esquina. Mas sem voltar a ver passar um qualquer porta-aviões.

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A TODOS, UM GRANDE DESEJO DE BOAS FÉRIAS!
MORTE DE BLOGUES

O Verão é a estação do ano em que morrem mais blogues. Penso que seja do calor e da falta de férias oxigenadas. No obituário, registam-se os seguintes desaparecimentos este mês: Quartzo, Feldspato & Mica e Este blog termina aqui.

23.7.05

A SUBTILEZA DAS NOTÍCIAS

Ontem, dava conta da notícia sobre audiências de jornais publicada no Diário de Notícias e expressava um comentário sobre ausência de idêntica informação no Público. Hoje, ela aparece neste último, mas com muito menor destaque. Devo escrever já que as subtilezas nas peças dos dois jornais não são boas para os leitores, pois estes são tomados por tontos.

O primeiro parágrafo da peça de ontem do Diário de Notícias dizia: "O DN recuperou no segundo trimestre do ano 25 mil leitores, no segmento dos diários generalistas em que todos subiram, à excepção do jornal Público". No quarto parágrafo da mesma peça, lê-se: "Relativamente ao primeiro trimestre do ano, o DN também subiu, concretamente de uma audiência de 3,4% para 4,2%. O Público também cresceu, de forma ligeira, de 5% para 5,3% entre trimestres". Comentário 1: é preciso ler com atenção - no primeiro parágrafo, comparava-se o segundo trimestre do ano com o período homólogo do ano anterior; no segundo parágrafo, comparava-se o segundo com o primeiro trimestre. Comentário 2: a posição do Público é melhor que a do Diário de Notícias no segundo trimestre, pois o nível de audiência é maior, apesar do aumento ser mais reduzido. A jornalista Paula Brito podia ser mais cuidadosa: é que se retém mais facilmente o primeiro parágrafo que o quarto.

Como eu imaginara, o Público coloca a informação hoje, numa notícia a uma coluna e 28 linhas. Retenho a penúltima frase do texto não assinado: "O PÚBLICO passou de 5,0 para 5,3 no trimestre - quase ao nível do seu melhor de sempre, 5,4 há um ano -, o Diário de Notícias atingiu os 4,2 (estava em 3,4) e o 24 Horas os 3,5 (tinha 3,3)". Comentário 1: não há qualquer comparação com o período homólogo do ano passado, penalizador para o jornal. Comentário 2: à "bicada" de ontem do Diário de Notícias, que destaca logo pela excepção o comportamento em termos de audiência do jornal concorrente, a notícia do Público faz uma espécie de ranking em que se vê a distância que existe entre ele e os jornais da Lusomundo (agora Controlinveste). E esta "bicada" de resposta é acentuada mais acima na curta notícia do Público quando se lê: "Os números de circulação apontam, porém, para o Correio da Manhã 119.243 exemplares e 98.197 para o JN" [o JN faz parte do grupo do Diário de Notícias].

Ambas as notícias ostentam uma verdade parcial mas não são totalmente isentas na sua análise. Sei que os jornais e os media em geral se dão mal com notícias sobre si próprios. Mas não posso deixar de perguntar: se é assim com os negócios domésticos, podemos aceitar a credibilidade e distanciamento objectivo no tratamento das notícias em geral?

22.7.05

REGULADOR BRASILEIRO FECHA 1199 ESTAÇÕES DE RÁDIO ILEGAIS

Segundo escreve hoje o blogue Media Network Weblog, a Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil (Anatel) tem prosseguido a política de encerrar estações de rádio ilegais. Este ano já fechou 1199, o que dá uma média de quase 200 por mês. Em 2004, haviam sido fechadas 1807. A Anatel estima haver quase 4500 estações piratas em todo o país. Edilson Ribeiro dos Santos, um responsável da Anatel, entende que as rádios ilegais interferem nas frequências das estações legais e das comunicações aéreas.

A notícia não contextualiza o fenómeno das rádios ilegais no Brasil. Alguém sabe quais as razões de uma tão grande quantidade de estações não legais? Trata-se de um fenómeno de rádios comunitárias sem recursos financeiros? Ou são experiências de grupos de jovens? Surgem rádios criativas com sons, programas e uma atenção à realidade social distintos das rádios já instaladas?
LUGAR AO SUL

Já aqui referi o programa Lugar ao sul, da Antena 1. Ouvia-o regularmente, numa altura em que Judite Lima tinha o seu programa na Antena 2, Jardim da música, também nas manhãs do fim-de-semana. Ora sintonizava um ora outro, num enorme prazer de escuta.

O programa de Rafael Correia mudou para um horário mais madrugador, o que me inibe de o ouvir. Álvaro José Ferreira é um dos que defendem o regresso do programa à grelha anterior. Hoje, deixou-me um conjunto de textos provando a qualidade do programa. Eu seleccionei um deles, fazendo um corte para tornar a mensagem mais leve. Trata-se de um texto de Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, lido na Rádio Universitária do Minho (15 de Abril de 2002) e publicado no Diário do Minho:

"O nome de Rafael Correia não dirá provavelmente muito a um bom número de leitores. Se lhe disser que ele é o autor de um programa que dá pelo nome de Lugar ao Sul, que resiste há mais de vinte anos na grelha da Antena Um da RDP, não sei se esse nome lhe dirá mais qualquer coisa. Para mim, é esse programa que há muito pontua e pontifica em parte das minhas manhãs de sábado.

"A rádio continua a ser um meio de comunicação fascinante. Tem, apesar de tudo, conseguido resistir com imaginação às mudanças vertiginosas do panorama mediático. O transístor e a miniaturização deram-lhe flexibilidade e levaram-na aos lugares mais inesperados do planeta. Adaptou-se a novas formas de vida e está, agora, a entrar em cheio na era digital. Tenho, contudo, para mim que aquilo que faz o sucesso da rádio é a interioridade que alimenta e promove.

"A história ensina que um novo meio de comunicação não elimina o mais antigo, antes conquista e desenha o seu espaço e o seu modo próprio de existir, reconfigurando o conjunto com novas combinações e características. Ora, num universo cultural alicerçado no que é visível e na exterioridade e, portanto, no sentido da visão, o meio rádio permite ao ouvinte a criação de um mundo de ideias, sentimentos e imagens muito particulares, tendo por base o som (música, palavra, ruído) e o silêncio.

"E é assim que eu, sem nunca ter visto Rafael Correia, me sinto quase um seu amigo de longa data, imaginando a sua figura e o seu deambular semanal pelas terras do sul de Portugal [...]".

O meu apelo é que se passe a ouvir o programa a uma hora menos madrugadora, em favor da cultura portuguesa em geral e alentejana em particular!
CARRINHOS DE COMPRAS NOS MEDIA

O mês de Julho está a ser promissor quanto a notícias em termos de vendas nos media. Confirmada a compra do grupo Lusomundo pela Controlinveste, de Joaquim Oliveira, o destaque vai agora para a compra de parte da Media Capital pelo grupo espanhol Prisa.

Sobre a Lusomundo, o Público é mais sucinto, com texto escrito por jornalistas da economia (conquanto na página dos media). O recorte da peça é feito a partir de comunicado da PT, ainda detentora dos media da Lusomundo, ontem à noite. Já o Diário de Notícias, um dos meios mais importantes da Lusomundo, dá um destaque acrescido. Comum aos dois jornais é a ênfase na deliberação da Autoridade da Concorrência, onde a questão de aquisição se decidiu: "tal operação não é susceptível de criar ou reforçar uma posição dominante da qual possam vir a resultar entraves significativos à concorrência no mercado relevante em causa". O processo de venda começou em 14 de Janeiro deste ano, há seis meses, portanto. Durante este período, falou-se da necessidade do novo comprador se desfazer do jornal desportivo O Jogo e não comprar o Jornal de Notícias. Também se referiu a vontade do grupo espanhol Prisa entrar na compra deste último jornal.

Apesar de ainda haver um período de dez dias de pronúncia por parte dos interessados perdedores (em que se inclui a Prisa), o negócio parece encerrado. Assim, Joaquim Oliveira, da Controlinveste, para além da posse anterior de O Jogo e de 50% do canal por cabo Sport TV, passa a ter no seu portfólio os seguintes media escritos: jornais diários e semanários como Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 Horas, Tal & Qual, Ocasião, Diário de Notícias da Madeira, Açoriano Oriental, Jornal do Fundão, revistas como a National Geographic, Notícias Magazine e Grande Reportagem, rádio TSF e posições nas gráficas Naveprinter e Funchalense e nas distribuidoras Notícias Direct e Vasp.

As últimas sobre a Media Capital

Mas o que alimenta a curiosidade hoje é a Prisa (que edita o El Pais) ter comprado parte do capital da Media Capital, em que o activo mais vistoso é o canal de televisão TVI. Os jornais de hoje seguem uma pista publicada ontem pelo Jornal de Negócios Online. Sigo a notícia por este meio digital produzida às 13:18 de hoje [mais à frente actualizo com informação do El País]. Pedro Carvalho, daquele meio, escreve que "Uma OPA da Prisa sobre a Media Capital vai depender da interpretação sobre a partir de que altura se vai considerar que a Prisa detém direitos de voto superiores a 33%". Aqui entram as interpretações dos bancos: para o BCP, o preço da OPA pode oscilar entre €7,03 e €8,41; para o BPI, a RTL poderá "ter ainda uma palavra a dizer". Isto porque a Bertelsmann (RTL) comprou recentemente uma parte do capital da Media Capital.

Retiro ainda da notícia que me serve de suporte o seguinte: "Miguel Pais do Amaral, Nicolas Berggruen e Courical Holding, Berggruen Holdings, Partrouge e o grupo de media espanhol Prisa celebraram um acordo através do qual, os três primeiros atribuem à empresa espanhola um direito de preferência relativo às acções da Vertix, detentora de uma participação de 28,48% do capital social da Media Capital".

Recordo que a Media Capital, para além da TVI, tem muitos activos na rádio (Comercial, Cidade FM, Rádio Clube Português, Nacional, Romântica FM, Mix, Best Rock FM), para além do canal de internet Cotonete, revistas (Maxmen e Lux), produtora NBP e publicidade de exteriores. Este ano as acções da Media Capital subiram de cerca de €5,4 para perto de €6,6 ontem [actualização: €6,80 às 15:32]. O grupo Prisa, para além do El Pais, tem o desportivo Ás, o financeiro Cinco Dias, diários regionais, a estação de rádio Cadena SER e participação na televisão por cabo. Segundo uma notícia de hoje (12:20), que se pode ler no El Pais digital, o grupo Prisa teve um lucro líquido de €73,13 milhões, no primeiro semestre do ano, o que representa um aumento de 32%. Cadena SER (+13,3%) e El País (+10,5%) foram as jóias da coroa nesse aumento.

A notícia do El Pais confirma a compra de capital da Media Capital. Retiro do comunicado do jornal electrónico espanhol citado: "La venta de la totalidad de Vertix a PRISA representa para los propietarios de Media Capital un ingreso de 189,5 millones de euros y participaciones representativas del 24 por ciento en el capital social de Prisa Internacional, que agrupa las inversiones del grupo español en medios de ámbito internacional".
DN GANHA 25 MIL LEITORES NO TRIMESTRE

O título, cuja peça ocupa grande parte da página 39 da edição de hoje do Diário de Notícias, é bonito mas falacioso. Escreve-se ali que, exceptuando o Público, todos os jornais registaram novos leitores no primeiro trimestre.

Uma primeira questão é a da vizinhança, a da rivalidade com o outro jornal de referência. Parece quase acintoso. Se o vizinho compra um carro, eu tenho de comprar um melhor, para provar não sei bem o quê. Quando se comparam performances entre jornais devia colocar-se um aviso acerca dos tiques tendenciosos. Eu, enquanto leitor dos dois jornais em papel, não ganho nada com este tipo de informação. O Público não traz qualquer referência - ou porque anda distraído ou porque está a preparar uma resposta.

Uma segunda questão - e que parece relevante - é a distinção entre audiência e venda de exemplares. Para mim, o fenómeno das audiências em televisão e imprensa é diferente. Na televisão, a audiência vende-se ao anunciante para este vender publicidade aquela. No jornal, há um outro tipo de refinamento. Na televisão, o anúncio é visto em simultâneo: na família, em cada lar. Há uma influência num dado momento que alcança todos. No jornal, não existe essa emulação, esse estímulo simultâneo. Por outros conceitos, poderia falar de notoriedade (ler ou falar de um jornal) e de frequência (comprar um jornal). É evidente que, aqui, a frequência é mais importante que a notoriedade. A verdadeira mensuração do jornal é o número de exemplares que vende, pois isso é palpável, materialidade que não existe na televisão. E os jornais do grupo Lusomundo, agora Controlinveste, têm baixado muito em termos de vendas.

Terceira questão, extra Diário de Notícias e que é positiva, é o facto dos resultados do estudo da Marktest, base desta informação, terem apontado para um aumento da leitura de jornais. Pena que não haja informação sobre faixas etárias e rendimentos de quem passou a ler os jornais, elementos fulcrais para a compreensão do analisado, para ver se é uma nova tendência ou se não passa de um fenómeno temporário.
O ENSINO E A INVESTIGAÇÃO DO JORNALISMO EM PORTUGAL (III)

[continuação de ontem]

4) Outra área que quis trazer para aqui é a das colecções de livros e de revistas. No caso da primeira, salientam-se as da editora Minerva de Coimbra, a mais antiga, de 1997, dirigida por Mário Mesquita e que já publicou trabalhos de muitos de nós, a dos Livros Horizonte, em parceria com o CIMJ, a Notícias Editorial (embora esta combine obras de valor desigual) e a mais recente Porto Editora. A Campo das Letras tem tido também um papel importante. Não posso, contudo, deixar de expressar o destaque às duas primeiras, muito mais preocupadas com a produção nacional, caso das teses de mestrado. O que significa um prolongamento do esforço científico feito nas universidades.

O campo das revistas tem sido igualmente explorado. Grande parte das universidades têm revistas, mas mais orientadas para o conjunto das áreas das ciências da comunicação. Refiro nomeadamente a Universidade do Minho, a Lusófona, o ISCTE (embora dentro da sociologia). A Universidade Católica também irá editar uma revista, com o nome de Comunicação e Cultura.

Mas quero frisar aqui e agora a importância da revista do CIMJ, Media & Jornalismo, pelas suas características específicas. Ela nasceu de mais uma ideia visionária de Nelson Traquina. Uma manhã de sábado, quando íamos tratar de um assunto que já não recordo, ele falou comigo e com a Ana Cabrera da ideia de uma revista. O nome foi logo traçado ali à mesa do café Benard, ao Chiado. O modelo seguia a estrutura das revistas americanas de jornalismo: artigos científicos e com referees, que caucionariam a validade dos textos. A ideia foi alargada aos sócios do CIMJ, receberam-se novos contributos e avançou-se para o processo. O aspecto mais complexo é sempre a materialização de uma ideia, mas a revista está hoje solidificada no terreno, publicando textos nacionais mas querendo ser cada vez mais internacional. Uma outra originalidade, bastante profícua no meu entender, porque permite o estabelecimento de colegialidade, é a tripla direcção, distribuída por Nelson Traquina, Cristina Ponte e Estrela Serrano.

Não posso esquecer também a revista do Clube de Jornalistas, a JJ (Jornalismo e Jornalistas) que, num registo de maior aproximação entre o discurso académico e o jornalístico, tem feito um esforço notável por tratar temas de actualidade e de grande interesse.

Em termos de internet, o melhor exemplo é o da BOCC, da Universidade da Beira Interior, depositário de muitos textos de investigadores nacionais, brasileiros e espanhóis. Um outro projecto, em suporte clássico, mas que não posso esquecer, é o desenvolvido pela Universidade do Minho, o Mediascópio, de observação quinquenal de várias áreas dos media, incluindo imprensa, rádio e televisão. No presente momento, o grupo encarregado de investigação prepara a edição dos resultados do período 2000-2004.

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5) Finalmente, pretendo debruçar-me sobre que temas estão a ser investigados e os que carecem de análise. Claro que o meu conhecimento é parcial. Tanto quanto sei não há um lugar que centraliza esta informação, nomeadamente as teses de mestrado que são apresentadas e os seus temas, nem os temas que saem nas variadas revistas e nos congressos realizados pela SOPCOM até agora. Começa a tornar-se importante criar uma base de dados com informação respeitante ao jornalismo, se é que ainda ninguém se lembrou de o fazer. Basta olhar para os temas de alguns dos livros já publicados: deontologia, provedores de leitores, jornalismo em rádio e televisão, jornalismo electrónico, jornalismo de proximidade, publicidade, história dos media, sociologia da comunicação. Mas falta iniciar ou investigar mais a área da história dos media, em especial a do jornais do séc. XX, a sociologia das redacções, a economia dos media e as metodologias de investigação, com recurso à interdisciplinaridade e através do trabalho de equipas.

21.7.05

O ENSINO E A INVESTIGAÇÃO DO JORNALISMO EM PORTUGAL (II)

[continuação de ontem]

2) Outro ponto aqui a destacar é o da importância dos mestrados na investigação do jornalismo. A Universidade Nova de Lisboa continuou na frente. Recordo-me de ser um dos alunos do primeiro seminário de Teoria da Notícia, dado por Nelson Traquina, aqui presente, e que seria meu orientador nas teses de mestrado e de doutoramento. Já lá vão treze, catorze anos. A sala funcionava na rua Luís Bívar, quase por detrás da maternidade Alfredo da Costa. Todas as semanas, havia um pacote de cerca de 40 páginas de textos clássicos do jornalismo – ainda em inglês – e logo depois traduzidos na antologia Jornalismo: questões, teorias e “estórias”. Nessa altura, residia aqui no Porto [a comunicação foi apresentada naquela cidade], mas era com muito prazer que semanalmente discutia com a turma e o professor as matérias.

Sem qualquer espécie de falsa modéstia, pode dizer-se que nasceu ali um conjunto de investigadores, hoje seniores. Basta falar em Cristina Ponte e Maria João Silveirinha, com obra sólida já publicada. Outros cursos se seguiram: o Helder Bastos e a Estrela Serrano são exemplos. A investigação seguida combinou logo dois elementos: a componente teórica, de que a revisão bibliográfica do tema a estudar era imprescindível, a investigação empírica, nomeadamente um estudo de caso. Depois, instalou-se a rotina de investigação e outras universidades seguiram o exemplo. Claro que ao mestrado se seguiu o doutoramento: recordo-me ainda do primeiro doutoramento na área de jornalismo ainda na mesma universidade: o candidato era Eduardo Meditsch, professor brasileiro, que defendeu uma bela tese sobre rádio, mais tarde publicada no nosso país.

3) Lentamente, formou-se um corpo de investigadores pelo país, que começaram a criar redes de contacto. A formação de associações foi o passo seguinte. Lembro duas: a SOPCOM, que aglutina investigadores das várias áreas de saber das ciências da comunicação, do jornalismo às relações públicas, do marketing ao cinema; o CIMJ, preocupado apenas com os media e o jornalismo. Interessante o facto de muitos dos sócios de uma serem da outra e de, actualmente, as duas partilharem um espaço comum como sede. O ano de arranque foi comum: 1997.



Este meu excurso algo histórico – que tem a ver com a minha formação académica inicial – permite-me ainda contar uma pequena história relacionada com a vida destas duas associações. Fui eu quem tratou de registar o nome do CIMJ – Centro de Investigação Media e Jornalismo – no Registo Nacional de Pessoas Colectivas do Ministério da Justiça, à Praça Silvestre Pinheiro Ferreira, em Lisboa. Terei ido lá duas ou três vezes até ser aceite o nome. Com esta minha experiência, ofereci-me para fazer o mesmo com a SOPCOM. Na altura, queríamos uma sigla que se aproximasse do nome Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. Propusemos APCOM, mas havia uma associação com o nome APECOM, ligada à publicidade. Assim, eu, de um lado, com um telemóvel dos pesadões, e o professor Aníbal Alves (Un. Minho) do outro lado, em Torres Vedras, onde ele tem uma casa, fomos combinando nomes até ficar a designação actual, SOPCOM (que até poderia ser lida como Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação).

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Claro que as duas associações têm objectivos diferentes, até pela composição de sócios. A SOPCOM é mais conhecida pela realização de congressos e pela criação de ligações a comunidades semelhantes no Brasil e em Espanha; o CIMJ tem-se dedicado mais à investigação no jornalismo. Neste momento, tem em curso vários projectos de investigação financiados pela FCT e, da primeira investigação, já saiu um livro de Cristina Ponte e projecta-se para breve a saída de outro, com Nelson Traquina e duas jovens investigadoras alocadas ao projecto.

[continua]

20.7.05

UMA OBRA DE JOSÉ TENGARRINHA

Contaram-me hoje que o professor José Manuel Tengarrinha, catedrático da Universidade de Lisboa, tem um texto intitulado Imprensa e opinião pública em Portugal a aguardar publicação desde Outubro do ano passado, numa editora que pediu um incentivo à edição ao Instituto da Comunicação Social.

Perguntas: a editora não quer arriscar a publicar o livro sem apoio? Não conhece o valor do autor - escritor da única história da imprensa em Portugal, com quarenta anos de edição -, que venderia a obra num ano lectivo, mau grado as fotocópias de alunos menos bem intencionados?
TESE "IMPRENSA E PODER NO PERÍODO MARCELISTA (1968-1974)"

Com nota máxima, Ana Cabrera concluiu o seu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com uma tese sobre jornalismo no consulado de Marcelo Caetano, primeiro-ministro português nesse período. Ela procurou compreender a imprensa da época através do posicionamento do poder político, da organização da imprensa e dos jornalistas no contexto das organizações.

anacabrera.JPGComo base empírica, fez 20 entrevistas a jornalistas que trabalharam nos anos em investigação e estudou oito jornais de informação geral (Diário de Notícias, Diário da Manhã, Época, Diário de Lisboa, Diário Popular, A Capital, República e Expresso) - uma espécie de análise morfológica dos jornais: primeira página, secções e suplementos. Observou a imprensa a partir de quatro ângulos: poder político, poder económico, jornalistas e jornais.

Marcelo Caetano conhecia bem os media: trabalhara como jornalista e estivera no lançamento de jornais e da televisão pública. Escreveu textos sobre a importância da opinião pública na sociedade moderna, não se conhecendo outros políticos do Estado Novo que tenham reflectido sobre essa matéria (à excepção de António Ferro). Daí que, quando assumiu o poder, tivesse ideias claras sobre o que deveria ser uma Lei de Imprensa (aprovada em Junho de 1972). Para Ana Cabrera, o político, ao executar essa lei, tinha em mente preservar a censura, que já vinha do começo do regime (1927).

Importantes ideias no trabalho hoje defendido prendem-se com a situação económica dos jornais (que transitaram de um modelo familiar para um modelo de grupos económicos) e o crescimento e transformação dos jornalistas. Estes, que eram pouco mais de 300 em 1960, passariam a mais de 700 em 1974. A investigadora explica esse crescimento pela maior demanda de jornais, com mais páginas e suplementos. Como os jornais exigiam maiores habilitações aos seus profissionais, entraram jovens oriundos das universidades, onde haviam acompanhado as lutas estudantis. Tal alterou o perfil político dominante no jornalismo e levou a que o sindicato dos jornalistas elegesse uma direcção, em 1970, não afecta ao regime. As eleições de 1969 acabariam por tornar mais maleáveis os mecanismos censórios (apesar de um forte retrocesso neste aparente liberalismo, e que esteve por detrás do descontentamento generalizado e que acabou com o regime político em 1974).
JORNALISMO EM TESE DE DOUTORAMENTO

Ana Cabrera defende hoje tese com o título Imprensa e poder no período marcelista. Às 15:00, na Universidade Nova de Lisboa, na Av. de Berna, anfiteatro 1.
HELENA SOUSA NO EUROMEDIA RESEARCH GROUP

Lera na passada quarta-feira no blogue Jornalismo e Comunicação, mas só hoje dou conta aqui no I.C.

Helena Sousa, docente e investigadora da Universidade do Minho e membro da equipa do blogue Jornalismo e Comunicação, foi convidada a integrar, como "full member", o Euromedia Research Group, grupo internacional de investigação que tem sede na Universidade de Zurique e que "reúne alguns dos mais prestigiados investigadores europeus em políticas da comunicação e dos media". Parabéns à Helena!
O ENSINO E A INVESTIGAÇÃO DO JORNALISMO EM PORTUGAL (I)

[texto lido na Universidade do Porto, a 24 de Maio de 2005, nas 1ª Jornadas da Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação da U. Porto (jLJCC'05)]

O que me proponho nesta apresentação é reflectir em alguns elementos, tais como: 1) matriz de alguns cursos, 2) importância dos mestrados como espaço para investigação e produção científica, 3) papel das associações e realização de congressos enquanto meios de partilha de conhecimentos, 4) importância das revistas, de colecções de livros e de sítios na internet, 5) apontar áreas e temas de investigação já desenvolvidos, a desenvolver ou que carecem de arranque.

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1) O ensino da matéria de jornalismo começou em finais da década de 1970, primeiro na Universidade Nova de Lisboa, a seguir no ISCSP (antes de 1974, houve um curso de comunicação social numa escola privada mas a mudança de regime acabou com a proposta, existindo muito pouca informação sobre ela).

Cada escola tinha uma filosofia ou carta de princípios. O curso da Nova ficou marcado pela influência das semióticas e linguísticas, ainda hoje detectável, enquanto o do ISCSP abraçou uma componente sociológica associada com a visão antropológica matriz de origem da escola. Os cursos das outras universidades chamadas novas, como o Minho e a Beira Interior, deram espaço a outros saberes e influências: a economia naquela, as tecnologias digitais nesta. Chamo a atenção para quatro outras escolas: a Católica, onde trabalho, com uma preocupação de ordem cultural, a de Aveiro e a do Porto, com uma combinação entre comunicação e tecnologias digitais que se afastam da da Beira Interior, pois esta, apesar do apelo às tecnologias, acaba por ter uma sólida componente sociológica e filosófica, a de Coimbra com uma orientação decisiva para o jornalismo. Esta última traz a pureza da designação: Jornalismo, numa mistura que se pretende equilibrada entre meios tradicionais e novos media. De fora ficam muitas; peço desculpa por não as elencar.

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Se olhássemos as universidades numa estrita perspectiva empresarial faríamos uma análise SWOT, com os seus pontos fortes e pontos fracos. Não quero estender-me por aí, mas pretendo apenas chamar a atenção para a necessidade de se dosear um saber teórico, alicerçado em décadas de investigação, mormente nos Estados Unidos, e uma aplicação prática. Sabemos – e a comissão de avaliação de cursos da área produzirá um próximo relatório sobre as universidades visitadas – que há cursos mais práticos e outros mais teóricos. Tal imbrica também na próxima aplicação do processo de Bolonha, onde se pretende que, no primeiro ciclo (licenciatura), os cursos forneçam ferramentas traduzíveis numa maior empregabilidade, ficando para os dois outros ciclos uma formação mais teórica e de investigação. Eu, confesso, fui sempre adepto de uma teorização mais forte, talvez porque venho de uma outra área das ciências sociais e humanas onde se não colocava a imediatez da reportagem ou da feitura do lead para a edição de hoje.

[continua]

19.7.05

A ATENÇÃO AO CINEMA

Entre o Público e o Diário de Notícias de hoje, é este que dá muito mais atenção à quebra de espectadores do cinema em Portugal. O Público dedica-lhe 24 linhas na secção de "Curtas", o Diário de Notícias uma página e um título mais significativo: "Cinema continua em queda".

O Público apenas seguiu a informação do presidente do ICAM, o Diário de Notícias ouviu também a responsável de comunicação da Lusomundo. Claro que se pode dizer que a Lusomundo tem interesses directos no cinema e daí lhe prestar mais atenção.

E o que dizem os números? No primeiro semestre deste ano, houve menos 865 mil espectadores que em igual período do ano passado. Segundo o ICAM, entre Janeiro e Junho venderam-se 7,18 milhões de bilhetes (no semestre homólogo do ano transacto, o valor fora de 8,05 milhões), com um resultado bruto de €31 milhões (menos €1,5 milhões que no perído de comparação). Elísio de Oliveira, presidente do ICAM, considera que as responsabilidades se repartem entre a concorrência do DVD (ver cinema em casa ou pelo sistema pay-per-view) e a alteração do ciclo de estreias nos Estados Unidos e a sua repercussão na Europa, com estreias múltiplas. Dantes, as grandes estreias ocorriam no começo do ano, agora repartem-se entre o Verão e o Natal. A jornalista do Diário de Notícias pergunta com razão: "mas não era assim já em 2004"?

O Diário de Notícias, com uma infografia em que surgem as "estrelas" de Madagascar, conclui que este filme de animação digital não está a ter sucesso. Eu próprio verifiquei: o filme estreou na sala maior do Londres (onde o vi), passando para a mais pequena quando estreou a Guerra dos mundos (aliás foi na mais pequena que eu vira os Incredibles e o Finding Nemo nos dois últimos Natais, o que demonstra o erro de programação, pois não há a concorrência das férias do fim-de-ano).

Ainda segundo o Diário de Notícias, a crise de bilheteira dos cinemas é um fenómeno que se repete em países como Alemanha, Espanha e Itália. Claro que a análise não entra em linha de conta com a alteração em todos os passos da cadeia de valor do audiovisual. E distinguir cinema do audiovisual, como parece ser a linha agora dominante em Portugal, é esquecer que, nos Estados Unidos, o principal produtor de cinema, os filmes são pensados não tanto para as salas mas para o DVD e a televisão. Começam ali mas financeiramente ganham mais nos passos seguintes, associados ainda ao merchandising. É isso que a peça do Diário de Notícias não explica.

Nota acrescentada a 20 de Julho: o Público dedicou uma página ao assunto, pelo que o que escrevi no começo da mensagem é parcialmente injusto. Um dia depois do espaço dado pelo Diário de Notícias, o Público fazia o mesmo.
PROCESSO DE BOLONHA

José Lopes da Silva, recentemente eleito presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), em entrevista ao Público de hoje, fala sobre o processo de Bolonha.

Diz ele que a instituição a que agora preside "fez um estudo sobre o que se passa na Europa, em termos curriculares, no ensino não superior e verificou que a grande maioria - a excepção são uns seis países - tem 13 anos de ensino, com entrada aos seis no sistema escolar. Isso é importante não só para a preparação dos alunos como para a questão dos ciclos a implementar com Bolonha". O ensino secundário português tem 12 anos no seu total. Daí se ponderar um primeiro ciclo mais longo na universidade (o que leva a que as licenciaturas tenham quatro e não três anos, como se chegou a pensar na Primavera).
PÚBLICOS DE CIÊNCIA

publico1272005.jpgNo Público do passado dia 12, a estória que ocupava as páginas 22 e 23 dizia respeito a públicos de ciência e ao resultado de recente inquérito aos europeus sobre a sua relação com a ciência e tecnologia. Apoio-me numa das peças escritas por Clara Barata [quadro retirado da mesma edição do jornal].

Segundo o texto, apenas 30% se dizem "muito interessados" em novas invenções e descobertas científicas (em 1992, esse número era de 38%). Não compreender (32%) ou simples falta de interesse (31%) são os argumentos principais apresentados pelos europeus, apanhando sobretudo: 1) mulheres com mais de 55 anos, 2) reformados, 3) trabalhadores manuais, 4) donas de casa e 5) níveis baixos de educação escolar. Mas também os jovens mostram um desinteresse preocupante, conclui Clara Barata, em especial os de idades entre 15 e 24 anos (38%). Portugal, no conjunto de países, é dos menos interessados pelos avanços da ciência: só 18% admite entusiasmar-se com o assunto.

pubciencia.jpgHá três anos, António Firmino da Costa, Patrícia Ávila e Sandra Mateus publicaram um livro designado Públicos da ciência em Portugal (Gradiva), onde se debruçaram sobre essa mesma problemática. Entrevistaram 2057 pessoas sobre o acesso e interesse em ler revistas de ciência, em 2001. A principal variável foi o nível de escolaridade.

Tendencialmente, quanto mais elevado o nível de escolaridade, maiores os conhecimentos científicos e mais positiva a atitude face à ciência (p. 57). Mas nem sempre um maior nível académico significa mais atenção à ciência.

Os autores encontrariam na sociedade nacional sete modos distintos de relação com a ciência, indo de um maior para um menor compromisso com ela: envolvidos, consolidados, iniciados, autodidactas, indiferentes, benevolentes e retraídos. Se os envolvidos tendem a frequentar ou a ter um grau académico universitário, idades relativamente jovens (e maioritariamente do sexo feminino) e exercem actividades de elevada qualificação, os retraídos são, dos grupos estudados, os mais velhos e com menores habilitações. Se aqueles representam apenas 2%, estes totalizam 28%.

Claro que entre uns e outros há cinco grupos que representam 70%, pelo que eu aconselho a leitura a quem gostar do tema. E o que se aplica a públicos de ciência também se ajusta ao estudo dos públicos da cultura e públicos das indústrias culturais.

18.7.05

TRIUNFO DIGITAL

triunfo.jpgLi agora no blogue galego Brétemas que está a ser digitalizada a revista espanhola Triunfo (1962-1982). Lê-se naquele blogue: "lendo esta revista, nacida como un noticiario cinematográfico e que, logo, se converteu en referente indiscutible da loita polas liberdades no Tardofranquismo e nos días da Reforma Política". O trabalho de digitalização é realizado com a colaboração da Universidade de Salamanca.
DE PONTA CABEÇA

Conheci agora o blogue De Ponta Cabeça, de Christiani Rodrigues. Ela é carioca (Rio de Janeiro), já plantou quatro árvores, tem dois filhos e só falta o livro (diz que já está no forno). Trabalha em assessoria de comunicação e espera terminar a graduação em jornalismo no próximo mês de Dezembro. Confessa uma fraqueza: sapatos bonitos (eu não a conhecia, se não tinha-lhe dedicado o meu post de 18 de Junho, que ainda pode ser visto se descer um bocado o "elevador").

Ela entende que "A idéia do De Ponta Cabeça surgiu porque, além de gostar desse universo, servirá de pesquisa para a minha monografia de final de curso, agora em dezembro, cujo tema é «Presente e perspectivas dos weblogs e seu impacto no jornalismo on line e cotidiano». Também tenho idéia de aproveitar o espaço para escrever de tudo um pouco e tentar mostrar um diferencial profissional na hora de uma contratação. Estou levando tudo muito a sério".

Espero que a Christiani nos dê a conhecer, em breve, o seu trabalho sobre blogues e como eles têm impacto no nosso dia-a-dia.
CIBERMODA EM TESE DE MESTRADO

Foi hoje defendida uma tese de mestrado, no ISCTE, com o título de Cibermoda. A influência das novas tecnologias na moda em Portugal, de Rita Coutinho.

Do resumo do trabalho, extraio o seguinte: "Nos últimos anos, as referências à evolução dos media electrónicos por parte de autores e investigadores das ciências sociais sublinham a extrema velocidade a que estes avanços se processam, acarretando uma série de transformações sociais e culturais, onde se definem novos estilos de vida. É neste contexto que surge uma nova cultura visual e se desenvolve uma estética que tem por base um imaginário "ciber", composto por figuras virtuais, cyborgs, imagens digitais, entre outros".

Cultura electrónica, urbana e juvenil seriam estudadas numa tese concisa mas de grande maleabilidade em termos de estrutura narrativa. Nela, encontra-se uma grande vantagem: cada página é como uma ficha de trabalho sobre um subtema, com resumo do objecto em análise (poderiam transformar-se em links e hipertexto se o trabalho tivesse sido entregue em formato digital). Por outro lado, há uma elegância no modo como o trabalho se vai desenrolando, a que não é estranho o tema: a moda. Além do mais, trata-se de um assunto actual, a que a bibliografia condizente com o objecto da tese empresta maior rigor, uma tese que deambula entre os territórios da sociologia e da antropologia, áreas das ciências sociais que eu aprecio em especial.

Apesar de ainda incerto o futuro da cibermoda, Rita Coutinho defendeu que a evolução das tecnologias digitais e dos media em geral (cinema, banda desenhada, em especial a japonesa manga) marcam inevitavelmente o nosso universo cultural [as imagens seguintes - retiradas respectivamente de Trunks the Swordsman's DBZ RPG, representando uma figura da banda japonesa manga, e Canoe Lifewise, da modelo canadiana Anna Pacitto-Merlo, em fotografia de Peter Morneau - permitem reflectir sobre essa influência dos media na moda].

1001 MENSAGENS

velas.jpgEsta é a 1001ª mensagem do blogue, trabalho que venho fazendo desde 17 de Março de 2003, ou seja, desde há 854 dias. A média de posts/dia é de 1,17 [imagem retirada do sítio Postais.de].

Desde o começo do blogue, houve 93998 visitantes, que viram 110914 páginas. O mês de maior número de visitantes foi em Maio último, quando cheguei a ter perto de 600 visitantes por dia. Nunca atingira tal pico, excepto em duas ocasiões em que o blogue Abrupto aconselhara o I. C.

A hora mais visitada é entre as 15:00 e as 16:00 e o dia mais frequentado é a segunda-feira (o menos é ao sábado). 57,5% dos endereços vem de Portugal, seguindo-se o Brasil com 32,6%. Chegam ao meu blogue 58,7% através de motor de busca (Google) e pelo sítio do blogue 41,3%. As palavras mais procuradas são Indústrias (1º) e Leonor (2º) [de Leonor Sousa - uma intérprete de um recente reality-show]. Os blogues mais ligados ao meu são Abrupto, Jornalismo e Comunicação, Blogouve-se, seta despedida, Guilhermina Suggia e A Rádio em Portugal. A seguir vêm dois blogues criados por mim, mas não actualizados há muito: Media, Públicos e Audiências e Teorias da Comunicação.
UMA PROPOSTA PARA CLASSIFICAR OS BLOGUES [continuação do post de ontem]

Os primeiros dez classificados segundo a proposta da leitora M. J. Rodrigues, seguindo o post de ontem, são os seguintes:

1) Almocreve das Petas (Lisboa)



categoria – S - "Estados d'alma, bom senso político e económico, espreitador literário ... ferros curtos" - crítica da actualidade; política; literatura; poesia; arte; cultura.
periodicidade dos posts - 1 a 2 post/dia
grafismo – bom; medianamente legível; template-desenhado; fundo cinza; margem esquerda apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres adaptado a cada tema, mas em número uniforme/post; banda de imagens adaptada/tema.
comentários – não permite; existe feedback/autor (em posts no blogue) ou por email disponível.
classificação - ● ● ● ●

2) Abrupto (Lisboa)



categoria – S - crítica da actualidade; política; cultura; literatura; poesia; arte; astronomia.
periodicidade dos posts - 1 a 2 post/dia
grafismo – excelente; muito legível; template-tipo; fundo branco; imagens de fotografia, "pintura", desenho ou adaptadas/post, margem esquerda minimal.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado, incluindo diverso material fotográfico e de desenho e utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – não permite; existe feedback/autor (em posts no blogue) ou por email disponível.
classificação - ● ● ● ●

3) A barriga de um arquitecto (Lisboa)



categoria – S - arquitectura, urbanismo; estética; filosofia; comunicação.
periodicidade dos posts - 1 a 2 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo cinza+bege; margem direita inclui apenas informação sobre blogues; inclui imagens de fotografia e desenho; arquivo incluído em caixa de pesquisa; pesquisa de temas pelo Google e pelo autor.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado, incluindo diverso material fotográfico e de desenho e utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 5/post) – atento e completo feedback/autor - email disponível
classificação - ● ● ● ●

4) BonaMúsica (Lisboa)



categoria – C - "passeios pelo interior da música" - divulgação e crítica de música.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo branco; inclui fotos; margem direita apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema e inserindo banda musical adaptada a cada post.
comentários – média (de 5 a 10/post) – atento e completo feedback/autor - email disponível
classificação - ● ● ● ●

5) Rua da Judiaria (Lisboa)



categoria – S - "Quem é sábio? Aquele que aprende com todos" (Bem Zoma) - cultura judaica; política; jornalismo, comunicação; actualidade.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo branco; inclui fotos; margem direita apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado, incluindo fotografia e utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – não permite – sem feedback/autor - email disponível
classificação - ● ● ● ●

6) Causa Nossa (Portugal)



Blogue publicado por Ana Gomes (AG), Jorge Wemans (JW), Luís Filipe Borges (LFB), Luís Nazaré (LN), Luís Osório (LO), Maria Manuel Leitão Marques (MMLM), Vicente Jorge Silva (VJS) e Vital Moreira (VM)
categoria – C - comentário politico; jornalismo; comunicação; sociedade.
periodicidade dos posts - 1 a 5 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-tipo; fundo branco; margem direita com arquivo, contactos e links para blogues.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando diversificado número de caracteres /tema.
comentários – email dos autores disponível
classificação - ● ● ● ●

7) Aviz (Portugal e Brasil)



categoria – S - "We have no more beginnings" (George Steiner) - política; cultura; jornalismo; comunicação; actualidade.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – bom; muito legível; template-tipo; fundo com cor neutra; margem direita apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados e links diversos.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – permite recentemente; email disponível
classificação - ● ● ●

8) Dias com árvores (Porto)



categoria– C - divulgação e crítica de política ambiental e paisagística.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – bom; muito legível; template-tipo; fundo com cor neutra; margem esquerda apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados e links diversos.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando fotografia e desenho e número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 5/post) – atento e completo feedback/autor - email disponível
classificação - ● ● ●

9) Bloguítica (Portugal)



categoria – S - comentário politico; jornalismo; comunicação; sociedade.
periodicidade dos posts - 1 a 8 post/dia
grafismo – bom; muito legível; template-tipo; fundo branco, margem esquerda minimal com informação sobre arquivo e links.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – email do autor disponível
classificação - ● ● ●

10) Murcon (Porto)



categoria – S - "Às vezes apetece-me escrever. Por que diabo não hei-de partilhar as minhas ruminações convosco"? - sexologia, filosofia, literatura, debate
periodicidade dos posts - 0 a 2 post/dia
grafismo – bom; muito legível; template-desenhado; fundo branco; margem direita informação sobre arquivo.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 5 a 200/post) – atento e completo feedback/autor/mail - email disponível
classificação - ● ● ●

17.7.05

UMA PROPOSTA PARA CLASSIFICAR OS BLOGUES

[Esta é a 999ª mensagem do blogue Indústrias Culturais]

Uma leitora atenta do meu blogue, M. J. Rodrigues, 60 anos, arquitecta, enviou-me uma proposta de classificação de blogues segundo um conjunto de critérios que acho valiosos para quem quiser aprofundar a matéria. Ela fê-lo para 25 blogues portugueses e igual número de blogues internacionais [trabalho aqui apenas 20 blogues nacionais, por ordem inversa: hoje, os últimos dez classificados; amanhã, os dez primeiros].

Aproveito o trabalho dela (omitindo a apreciação que fez a este I. C.), agradecendo profundamente a observação cuidadosa enquanto leitora, ou metablogueira. Os elementos de classificação incluem categoria e qualidade do grafismo e da informação ordenado por preferência e assiduidade no acesso (Janeiro a Julho de 2005). A classificação vai de ● (médio) a ●● (bom), ●●● (muito bom) e ●●●● (exemplar), distinguindo-os entre S (singular) e C (colectivo), se tem ou não comentários, links, pesquisa, direitos de autor, fundo musical, interactividade e inquéritos/jogos. Não incluí alguns outros elementos por ela propostos, nomeadamente visuais, por falta de competência minha para transpor do processador de texto para linguagem HTML.

Espero que os(as) blogueiros(as) aqui representados(as) reconheçam o esforço de classificação que fez, independentemente do lugar na classificação, pois trata-se apenas de um juízo de gostos pessoais. Como podem ler na coluna da direita, os meus gostos são diferentes (blogues preferidos), pelo que a classificação deve ser apenas levada como hipótese séria de trabalho. Dos blogues aqui elencados, havia um conjunto deles que eu nem sequer conhecia.

11) Um buraco na sombra (Lisboa)



categoria – S – literatura; poesia; fotografia, arte, filosofia.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo branco+cinza; classificação temática na margem esquerda; imagens e texto muito bem elaborados sobre temas e eventos culturais diversificados.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – admite colaboração; atento e completo feedback/autor/mail; email disponível
classificação - ● ● ●

12) lisbonlab (Lisboa)



categoria – S - laboratório de ideias, estudos, experiências e reflexões; jornalismo; comunicação.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – bom; muito legível; template-desenhado; fundo branco; inclui inúmero material fotográfico; margem direita com links e informações culturais diversificadas.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 3/post) – sem feedback/autor - email disponível
classificação - ● ● ●

13) A cidade surpreendente (Porto)



categoria – S - "Um blogue de imagens e algumas palavras sobre o Porto, permeado de incursões ligeiras a territórios exteriores" - laboratório de ideias, estudos, experiências e reflexões; jornalismo; comunicação.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – bom; muito legível; template-desenhado; fundo branco; inclui inúmero material fotográfico; margem direita com links e informações culturais diversificadas.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 3/post) – sem feedback/autor - email disponível
classificação - ● ● ●

14) Grande loja do queijo limiano (Portugal)



categoria – C - "Não deixe que a Verdade estrague uma boa história" - comentário e debate de política; jornalismo; comunicação; sociedade.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/dia
grafismo – bom; muito legível; template-tipo; fundo com cor branca; margem esquerda com arquivo e links para blogs.
informação – conteúdos actuais com tratamento bem elaborado, incluindo fotografia, desenho e utilizando número de caracteres variável por tema.
comentários – média (de 5 a 10/post) – mediano feedback/autores - email disponível
classificação - ● ● ●

15) Muita letra (Porto)



categoria – S – divulgação e crítica de literatura e poesia: jornalismo; comunicação.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo cinza; inclui fotos; margem direita apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 3/post) - email disponível
classificação - ● ●

16) avatares de um desejo (Portugal)



categoria – S - Registos confessionais, pseudo-antropologicos e quasi-antropologicos Bruno Sena Martins; jornalismo, comunicação
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo cor neutra; margem direita apelativa com informação actualizada sobre livros e eventos culturais diversificados.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 2 a 10/post) - email disponível
classificação - ● ●

17) geografismos (Portugal)



categoria – S – "diário de campo on-line para alunos de Geografia" - geografia e vida escolar; blogue de professores.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – excelente; muito legível; template-desenhado; fundo branco; imagens centradas, margem direita com indicação de blogues e links de interesse; link para site pessoal; notas para aulas de geografia.
informação – conteúdos com tratamento bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema; intimista e coloquial.
comentários – média (de 0 a 5/post) – atento e completo feedback/autor - email disponível
classificação - ● ●

18) O século prodigioso (Lisboa)



categoria – S - divulgação de arte do século XX.
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – bom; muito legível; template-tipo, fundo branco, imagens centradas.
informação – conteúdos com tratamento bem elaborado utilizando fotografia e desenho e número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 5/post) – tem feedback/autor - email disponível
classificação - ● ●

19) A Razão tem sempre cliente (Lisboa)



categoria – S - Este é um blogue exclusivamente dedicado à Razão, esse conceito abstracto que nos distingue (conceptualmente, pois claro) dos animais e que muitas vezes nos torna verdadeiras bestas. Para todos os mamíferos que gostariam uma vez ou outra de ter Razão, ecce il blog; humor; sociedade; jornalismo.
periodicidade dos posts - diária
grafismo – bom; muito legível; template-desenhado; fundo com cor sóbria, margem direita apelativa com informação actualizada sobre eventos culturais diversificados, links e arquivo.
informação – conteúdos actuais com tratamento muito bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema. Inclui participação/inquérito.
comentários – média (de 5 a 10/post) – atento e completo feedback/autor - email disponível
classificação - ● ●

20) Maquiavélico (Lisboa)



categoria – C – política, história
periodicidade dos posts - 1 a 3 post/semana
grafismo – bom; discreto; legível; textos e imagens centrados; template-tipo; fundo branco; margem direita com links e arquivo.
informação – conteúdos actuais com tratamento bem elaborado utilizando número de caracteres quase uniforme para cada tema.
comentários – média (de 0 a 3/post) – atento e completo feedback/autor – 3 email disponíveis
classificação - ● ●

[continua]

15.7.05

A GUERRA DOS MUNDOS

Leio com prazer o que Nuno Galopim escreve no DNA de hoje (Diário de Notícias) sobre o filme de Spielberg. Começa o texto assim: "Steven Spielberg optou sempre pela diplomacia, curiosidade científica e desejo de comunicar". Quem viu, por exemplo, Encontros imediatos de terceiro grau (1975) e E.T.: O Extra Terrestre (1982) lembra-se dessa curiosidade e simpatia recíproca entre visitantes e terrestres. Agora, e seguindo o livro de Wells, os extra-terrestres de A guerra dos mundos são assassinos implacáveis.

wells1.jpgwells3.jpg

wells2.jpgDezenas de filmes, discos e romances depois, Spielberg mostra-nos a história de gente comum, aterrorizada, sem solução prevista. A sorte, porém, estava nos micro-organismos, com quem nós vamos estabelecendo relações mais ou menos amigáveis ao longo da vida (debelando doenças ou controlando epidemias), e que atacaram esses visitantes não desejados pelos terrestres.

[imagens retiradas do jornal de hoje]
ESPELHO MEU

É o título da exposição patente no CCB sobre Portugal visto pelos fotógrafos da Magnum. Lê-se: "Em 2001, ao percorrer os arquivos da Magnum, encontrámos mais de 1000 imagens sobre Portugal, a maioria das quais nunca tinha sido objecto de qualquer mostra ou publicação".



Percorre-se a exposição com um frémito de reconhecer a História através de fotografias avulsas relativamente aos acontecimentos mais marcantes. Sem contudo os ver todos, no fundo das imagens descobrimos um país que mudou muito desde os anos 1950 até hoje. Onde havia ordem reprimida (visível no vestuário, no olhar desconfiado mas em simultâneo subserviente perante a câmara) há variedade (o casamento de ciganos, com as raparigas "produzidas" para a cerimónia, decotadas e de olhos pintados, certamente a cheirarem bem, por oposição à cena de casamento popular em 1964, em que os noivos parecem tristes e arrependidos, e ainda não sairam da mesa da boda, foto feita por Thomas Hoepker). Henri Cartier-Bresson, das muitas imagens que já foi possível ver dele, deixa-nos uma fotografia de 1955, tirada em Viana do Castelo.

Num televisor, passa um filme sobre a reforma agrária, onde se conta a história de franceses que vieram em excursão ver o que se passava nesse ano de 1975. Logo numa das fotografias não muito distantes do televisor, vêem-se jovens descendo a rua no pós-25 de Abril de 1974. Eles parecem-me quase anões e, se não estivesse indicado na legenda da fotografia, parecia-me não uma manifestação urbana mas rural, sinal de que, afinal, não mudámos tanto como escrevi acima. Para além de uma curiosa procissão no meio da praia, juntando crentes e veraneantes, a actualidade remete-nos para a Cova da Moura e para a segunda ou terceira geração de cabo-verdianos, fotografados por Susan Meiselas.

No desdobrável da exposição, cujas comissárias são Alexandra Fonseca Pinto e Andréa Holzherr (da Magnum Photos Paris), lê-se que "o rapaz da Mocidade Portuguesa [imagem de Thomas Hoepker] tinha sido substituida por mulheres de lenço na cabeça e punho erguido". Há uma imagem curiosa de Guy Le Querrec, a de reunião de pescadores, cujo local de encontro foi o pavilhão escolar local, todos juntos a um cesto de basquetebol, como se estivessem discutindo se a bola tinha ou não entrado.

Na retina, ficou-me a imagem de Josef Koudelka, em Braga, o ano passado. Vê-se uma ramada de videira, em que esta cresce da esquerda para a direita. Os pilares de granito que suportam a estrutura estão levemente inclinados; a árvore está a "rebentar", o que significa Primavera. A neblina que se vislumbra do lado esquerdo recorda o ar calmo e fresco das manhãs. Sem saber porquê, lembrei-me do filme A guerra dos mundos, de Spielberg, quando os invasores extra-terrestres acabam com a pasmaceira do dia a dia das populações e deitam-se a destruir tudo que vêm à frente. Certamente, porque as imagens do filme ainda estão muito presentes em mim, pois não se vislumbram semelhanças.

A não ser a comparação das paisagens ainda rurais das fotografias de Josef Koudelka com a falta de conservação dos edifícios das nossas cidades (imagens que fiz nas duas últimas semanas em Lisboa e Porto).

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